24 Janeiro 2026
"Mostramos aos jovens muita Igreja e muito pouco Jesus Cristo, que é a própria vida!", escreve Enzo Bianchi, prior e fundador da Comunidade de Bose, em artigo publicado por Famiglia Cristiana, 18-01-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Quando entramos em uma igreja para viver a liturgia, vemos por toda a nave os fiéis voltados para o crucifixo, o altar, centro da ação litúrgica. Mas aquelas cabeças que observamos são quase todas brancas e revelam imediatamente a idade dos fiéis: são cristãos e cristãs na velhice! Essa visão desperta em meu coração sentimentos de tristeza, porque vejo uma Igreja mutilada, uma Igreja onde falta uma parte: os jovens. Por que eles não estão aqui? Por que não participam da Eucaristia? Onde está a nova geração cristã? Há anos que temos ciência dessa patologia eclesial: uma Igreja que não tem mais jovens está fadada a diminuir, até desaparecer. E isso já está acontecendo em algumas regiões como Piemonte, Ligúria e Toscana.
E o que nós, como Igreja, podemos dizer a eles? Os jovens buscam a vida, e nós oferecemos liturgias nas quais os participantes sentem que recebem vida, e vida em abundância? Porque se não recebem vida, nenhuma participação se justifica. Os jovens não são ateus, não são inimigos do cristianismo ou da Igreja, são simplesmente indiferentes a discursos, atitudes, rostos, palavras que não dizem nada para eles, que não trazem vida. Deveríamos nos perguntar seriamente, e os bispos italianos também nos exortam a isso: temos uma liturgia eloquente para os jovens? Na liturgia, usamos palavras que conseguem tocar o coração de um jovem? Há espaço em nossas assembleias para as vivências dos jovens? E, acima de tudo, mostramos a eles Jesus Cristo, o Evangelho, ou continuamos a lhes transmitir doutrinas, exortá-los com a moral e oprimi-los com serviços que servem à instituição, e não à realidade dos pobres que ainda estão fora da Igreja? Mostramos aos jovens muita Igreja e muito pouco Jesus Cristo, que é a própria vida!
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