15 Janeiro 2026
Pesquisa publicada na revista científica Nature indica que a perda de floresta enfraquece o ciclo da água e torna a região mais seca.
A reportagem é de Karina Pinheiro, publicada por ((o))eco, 14-01-2026.
O desmatamento acumulado nas últimas décadas na Amazônia já provocou uma queda significativa nas chuvas no sul da Amazônia. A afirmação vem de um estudo conduzido por pesquisadores chineses e do Reino Unido publicado nesta terça-feira (13), na revista científica Nature Communications. Segundo os estudiosos, a perda de floresta alterou o ciclo natural da água na região, tornando o clima mais seco e instável.
A pesquisa analisou dados de satélite e modelos climáticos entre 1980 e 2019 para entender como a retirada da vegetação afeta a circulação de umidade na atmosfera. O resultado indica que, em partes do sul da bacia amazônica, a redução das chuvas pode chegar a até 11% ao ano ao longo do período estudado.
Os cientistas explicam que a floresta amazônica funciona como uma espécie de “bomba de água”. As árvores absorvem água do solo e devolvem parte dessa umidade para a atmosfera por meio da evapotranspiração, ajudando a formar nuvens e chuvas. Quando grandes áreas são desmatadas, esse processo enfraquece, e menos chuva cai sobre a própria Amazônia e regiões vizinhas.
Impacto maior do que o esperado
Um dos alertas do estudo é que muitos modelos climáticos ainda subestimam o impacto do desmatamento sobre as chuvas. Isso significa que os efeitos da perda de floresta podem ser mais rápidos e intensos do que o previsto até agora, aumentando o risco de secas prolongadas, incêndios florestais e prejuízos para a agricultura.
Os pesquisadores também destacam que a maior parte da redução das chuvas observada no sul da Amazônia está ligada a mudanças locais no uso da terra, e não apenas ao aquecimento global. Ou seja, conter o desmatamento e restaurar ambientes pode trazer resultados mais diretos para a recuperação do regime de chuvas.
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