Jesus começa sua missão como Filho de Deus. Comentário de Consuelo Vélez

Foto: Samuel Lopes/Unsplash

09 Janeiro 2026

A festa do Batismo de Jesus marca o começo de sua vida pública. Jesus teve que ser batizado, e isso causou controvérsia. No Evangelho de Mateus, as palavras são dirigidas a todos os que deveriam estar presentes. Isso torna a missão que Jesus está prestes a iniciar mais explícita e afirma quem ele é e como Deus apoia essa missão.

O artigo é de Consuelo Vélez, teóloga colombiana, publicado por Religión Digital, 06-01-2025.

Eis o texto.

Então Jesus veio da Galileia ao Jordão para ser batizado por João. João tentou impedi-lo, dizendo: "Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?" Jesus respondeu: "Deixe-nos fazer isso, pois convém que o façamos." Então João concordou. Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele instante, o céu se abriu, e ele viu o Espírito de Deus descendo como uma pomba e pousando sobre ele. E uma voz dos céus disse: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mateus 3,13-17).

A festa do Batismo de Jesus marca o começo de seu ministério público. O texto revela a dificuldade que a comunidade cristã primitiva pode ter tido em relação a esse evento, pois duas perguntas são legítimas: Como Jesus poderia ser batizado por João se era mais velho que ele? E o que Jesus se tornaria se fosse o Filho de Deus? Precisamente por causa dessa dificuldade, Mateus apresenta João Batista resistindo ao batismo e reconhecendo que era Jesus quem precisava ser batizado. É importante notar que Marcos não contém esses versículos sobre a resistência de João ao batismo, Lucas não apresenta quem batizou Jesus e o Evangelho de João não relata o batismo. Essa própria diferença entre os evangelistas nos ajuda a concluir que Jesus deve ter sido batizado, e esse ato causou controvérsia. De qualquer forma, esse sinal marca o início de sua vida pública que, como sabemos, não será fácil, mas uma vida pública sustentada por Deus, com as palavras que são ouvidas quando os céus se abrem: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”.

Enquanto no Evangelho de Marcos a voz se dirige diretamente a Jesus, no Evangelho de Mateus as palavras são dirigidas a todos os que deveriam estar presentes. Isso torna a missão de Jesus mais explícita e afirma quem ele é e como Deus apoia essa missão.

Agora somos nós que ouvimos esta história, e devemos nos perguntar a que ela nos convida. Primeiro, é importante considerar o gesto de conversão expresso no batismo. Jesus o realiza não porque tenha pecados, mas porque sua pregação implica uma conversão, um caminho diferente daquele indicado pelos profetas de Israel. Jesus enfatizará uma mudança da punição pregada por João Batista para a misericórdia incondicional do reino. Portanto, é necessário compreender para onde o caminho de Jesus nos levará, para que estejamos prontos para segui-lo. Segundo, o texto nos convida a proclamar não um profeta, mas o próprio Filho de Deus entre nós. E esta é a grande diferença. Profetas continuarão a surgir, mas o profeta Jesus não é apenas mais um; ele é o próprio Filho de Deus.

Acompanharemos o ciclo litúrgico e a missão de Jesus se desdobrará em seus diversos aspectos. Ao longo desse caminho, muitos abandonarão o seu seguimento. O convite para nós é que permaneçamos fiéis à missão que o próprio Filho de Deus realizará entre nós.

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