Em sua mensagem do Angelus, o Papa lembrou "o apelo para reorganizar a convivência, para redistribuir terras e recursos"

Foto: Vatican Media

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07 Janeiro 2026

Diante dos dez mil fiéis reunidos na Praça São Pedro após a Missa da Epifania, o Papa desejou "serenidade e paz" às comunidades eclesiais do Oriente, que celebrarão o Natal amanhã segundo o calendário juliano.

O artigo é de José Lorenzo, jornalista espanhol, publicado por Religión Digital, 06-01-2026.

Eis o artigo.

“Não sabemos o que possuíam os Magos, que vieram do Oriente, mas a sua viagem, a sua coragem, os seus próprios dons sugerem-nos que tudo, verdadeiramente tudo o que somos e possuímos, clama para ser oferecido a Jesus, um tesouro inestimável.” Nas suas palavras antes da oração do Angelus, na Loggia das Bênçãos, na Basílica de São Pedro, esta tarde, o Papa aludiu às festividades do Natal, à Solenidade da Epifania, cuja missa presidiu momentos antes, e também ao Jubileu da Esperança, recentemente concluído, que, como observou, “nos recordou esta justiça baseada na gratuidade; contém em si o apelo à reorganização da convivência, à redistribuição de terras e recursos, à devolução do ‘que temos’ e do ‘que somos’ aos sonhos de Deus, que são maiores do que os nossos.”

"Ajoelhar como os Reis Magos diante do Menino de Belém significa, também para nós, confessar que encontramos a verdadeira humanidade, na qual resplandece a glória de Deus", de modo que "a vida divina está agora ao nosso alcance, manifestou-se para nos envolver em seu dinamismo libertador que dissipa os medos e nos permite encontrar a paz interior. É uma possibilidade, um convite: a comunhão não pode ser imposta, mas o que mais se poderia desejar?"

Em sua saudação aos cerca de dez mil fiéis que, após participarem da Missa da Epifania, se reuniram na praça em uma manhã fria e chuvosa do inverno romano, o Papa lembrou a celebração do Dia da Infância Missionária e desejou "serenidade e paz" às comunidades eclesiais do Oriente, "que amanhã celebrarão o Santo Natal segundo o calendário juliano".

As palavras do Papa

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Durante este período, celebramos diversas festas e a Solenidade da Epifania, que, já no nome, sugere o que torna a alegria possível mesmo em tempos difíceis. Como sabem, a palavra “epifania” significa “manifestação”, e a nossa alegria brota de um Mistério que já não está oculto. A vida de Deus foi revelada: muitas vezes e de diferentes maneiras, mas com clareza definitiva em Jesus, de modo que agora sabemos, apesar de muitas tribulações, que podemos ter esperança. “Deus salva”: Ele não tem outra intenção, nenhum outro nome. Só o que liberta e salva vem de Deus e é uma epifania de Deus.

Ajoelhar como os Magos diante do Menino de Belém significa, também para nós, confessar que encontramos a verdadeira humanidade, na qual resplandece a glória de Deus. Em Jesus, a verdadeira vida se manifestou, o ser humano vivente, isto é, aquele que não existe para si mesmo, mas está aberto e em comunhão, o que nos leva a dizer: “assim na terra como no céu” (Mt 6,10). Sim, a vida divina está agora ao nosso alcance; ela se manifestou para nos envolver em seu dinamismo libertador que dissipa os medos e nos conduz à paz. É uma possibilidade, um convite: a comunhão não pode ser imposta, mas o que mais se poderia desejar?

Na narrativa do Evangelho e em nossos próprios presépios, os Magos presenteiam o Menino Jesus com preciosos presentes: ouro, incenso e mirra (cf. Mt 2,11). Estes podem não parecer presentes práticos para uma criança, mas expressam uma intenção que nos dá muito em que refletir ao chegarmos ao fim do Ano Jubilar. Quem dá tudo, dá muito. Lembremo-nos daquela pobre viúva, observada por Jesus, que depositou suas últimas moedas, tudo o que possuía, no tesouro do Templo (cf. Lc 21,1-4). Não sabemos o que os Magos, vindos do Oriente, possuíam, mas sua jornada, seu risco e seus próprios presentes sugerem que tudo — verdadeiramente tudo o que somos e possuímos — clama para ser oferecido a Jesus, um tesouro inestimável. O Jubileu nos recorda essa justiça baseada na gratuidade; contém em si o apelo para reorganizarmos nossas vidas, redistribuirmos terras e recursos, devolvermos “o que temos” e “o que somos” aos sonhos de Deus, que são maiores que os nossos.

Queridos irmãos e irmãs, a esperança que proclamamos deve estar fundamentada na realidade: vem do céu, mas destina-se a gerar uma nova história aqui na terra. Nos presentes dos Magos, vemos o que cada um de nós pode partilhar, o que já não pode ser guardado para nós, mas deve ser partilhado, para que Jesus cresça entre nós. Que o seu Reino cresça, que as suas palavras se cumpram em nós, que estranhos e adversários se tornem irmãos e irmãs, que a igualdade substitua a desigualdade e que a arte da paz prevaleça sobre a indústria da guerra. Artífices da esperança, caminhemos rumo ao futuro por outro caminho (cf. Mt 2,12).

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