Católicos colombianos estão entre os preocupados após Trump ameaçar o presidente do país

Foto: Molly Riley | Casa Branca

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07 Janeiro 2026

Donald Trump acusou no domingo o presidente colombiano, Gustavo Petro, de tráfico de drogas e ameaçou tomar medidas militares contra ele, menos de dois dias após os EUA capturarem Nicolás Maduro em uma incursão noturna entre sexta-feira e a madrugada de sábado.

A reportagem é de Eduardo Campos Lima, publicada por Crux, 05-01-2026.

“A Colômbia também está muito doente”, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One no domingo, “governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo.”

Quando os repórteres pediram a Trump que esclarecesse se ele pretendia ameaçar a Colômbia com uma ação militar semelhante à que os EUA tomaram contra Maduro, Trump disse que tal operação "me parece bem".

Foi a segunda vez em dois dias que Trump ameaçou Petro.

Apenas algumas horas após os ataques dos EUA na Venezuela e a prisão do líder Nicolás Maduro no fim de semana, Trump ameaçou tomar medidas semelhantes contra o colombiano Petro, acusando-o de produzir e contrabandear cocaína para os EUA.

Durante a coletiva de imprensa de sábado sobre o sequestro de Maduro, realizada em Mar-a-Lago, Trump foi questionado sobre Petro. Trump afirmou que o presidente colombiano mantém "fábricas e instalações de produção de cocaína" e que "envia a droga para os Estados Unidos", portanto Petro "precisa ficar de olho".

As declarações de Trump no sábado e no domingo ocorreram após uma longa troca de hostilidades verbais entre os dois líderes nas últimas semanas, com Petro criticando Trump pelos ataques dos EUA contra barcos venezuelanos no Caribe, que supostamente transportavam drogas.

Trump respondeu, dizendo que o próprio Petro era um "traficante de drogas ilegal" e que "poderia ser o próximo". Embora a Colômbia seja historicamente uma grande produtora de cocaína, Trump não apresentou nenhuma prova que ligue Petro a essa atividade.

No sábado, após a operação dos EUA na Venezuela, Petro condenou a ação americana como "uma agressão contra a soberania da Venezuela e da América Latina". Petro afirmou que "não está nada preocupado" após a declaração ameaçadora de Trump no sábado.

Os católicos colombianos receberam com preocupação a troca de farpas entre Trump e Petro, especialmente as últimas declarações do presidente americano. Na opinião pública, a situação foi filtrada por lentes políticas polarizadas, com a maioria à direita expressando apoio a Trump e a maioria à esquerda condenando a intervenção dos EUA.

“O problema”, disse Ignacio Madera, professor de teologia da Pontifícia Universidade Xaveriana de Bogotá, “é que a imprensa, controlada por grandes grupos econômicos, vem apresentando a operação dos EUA como o triunfo da liberdade”.

Ele afirmou que muitas organizações cívicas e setores progressistas têm criticado essas visões e a ideia de que a América Latina representa o "quintal" dos EUA.

Diego Arias, especialista em segurança pública e conflitos armados, afirmou que muitas pessoas esperavam que Trump, de alguma forma, relacionasse a Colômbia à situação na Venezuela.

Arias afirmou que a principal preocupação da maioria dos colombianos, no entanto, é com a própria crise venezuelana.

“O tema da Venezuela ser governada pelos EUA, os aspectos relacionados ao petróleo e como será a transição têm dominado o debate”, disse Arias ao Crux.

Arias disse que os oponentes de Petro têm disseminado memes nas redes sociais sobre o suposto sequestro de Petro pelos EUA, com fotos dele vestindo um uniforme laranja de presidiário e outras criações satíricas desse tipo.

No mundo real, um movimento de imigrantes venezuelanos que se preparam para voltar ao seu país já é perceptível em cidades como Bogotá, Cali e Pasto, disse Arias.

A Colômbia abriga quase 3 milhões de imigrantes e refugiados venezuelanos. A maioria deles chegou na última década, fugindo da turbulência sociopolítica da Venezuela de Maduro.

Os ataques de Trump em Caracas e o sequestro de Maduro foram recebidos com esperança por muitos venezuelanos, disse Arias.

“Eles parecem confiantes de que uma mudança real ocorrerá, com a reconstrução da economia venezuelana, a criação de empregos e assim por diante. As pessoas estão esperando por uma transformação”, disse ele.

Arias, no entanto, não tinha certeza se a transição ocorreria em curto prazo e sem grandes dificuldades.

Dom Juan Carlos Barreto, da Diocese de Soacha, que dirige a Cáritas colombiana, disse ao Crux que há grande preocupação com a disposição do presidente dos EUA em agir “sem observar os princípios das Nações Unidas e sem consultar o Congresso dos EUA”.

“Tudo isso é prova do seu autoritarismo”, disse Barreto.

Barreto afirmou que, se a ação dos EUA contra a Venezuela, "que é totalmente inadmissível, for expandida para a Colômbia, um país onde há um presidente legitimamente eleito, veríamos uma agressão muito mais grave, com consequências terríveis".

“Acho que precisamos ouvir a voz do Papa”, disse Barreto. “A soberania da Venezuela deve ser respeitada”, afirmou, “o Estado de Direito deve ser garantido, assim como os direitos humanos e civis de todos”.

Barreto afirmou que os venezuelanos ainda temem o desenvolvimento da situação política em seu país.

“Uma forte intervenção da comunidade internacional para garantir a paz e a autonomia na Venezuela seria conveniente”, disse também o prelado.

Madera, no entanto, não considera essa possibilidade, nem descarta uma invasão da Colômbia.

“Dada a passividade de todos os países e as ambiguidades de muitos, tudo é possível quando se trata da mente capitalista violenta de Trump”, disse o professor.

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