06 Janeiro 2026
A medida, que afeta 37 ONGs, foi criticada por grande parte da comunidade internacional e também provocou uma reação do Patriarcado Latino de Jerusalém.
A reportagem é publicada por Vatican News e reproduzida por Religión Digital, 05-01-2025.
De acordo com o Ministério da Diáspora de Israel, as ONGs que não cumprirem os requisitos estabelecidos pelas autoridades terão suas licenças revogadas e deverão cessar suas atividades na Faixa de Gaza até 1º de março de 2026. Essa decisão foi rejeitada por diversas organizações internacionais que temem o agravamento da grave crise humanitária em curso no enclave palestino, onde o acesso a serviços essenciais como saúde, alimentação e água permanece insuficiente.
A lista de 37 ONGs excluídas por Israel inclui, entre outras, Médicos Sem Fronteiras, Conselho Norueguês para Refugiados, Care International, Oxfam, ActionAid e Caritas Jerusalém.
A resposta do Patriarcado Latino
Em relação à não renovação da licença da Caritas Jerusalém, o Patriarcado Latino de Jerusalém [liderado pelo Cardeal Pizzaballa] emitiu uma declaração enfatizando que “a Caritas Jerusalém é uma organização humanitária e de desenvolvimento que opera sob a égide e governança da Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa. Em Israel”, explica a declaração, “ a Caritas Jerusalém é uma pessoa jurídica eclesiástica , cujo status e missão foram reconhecidos pelo Estado de Israel por meio do Acordo Fundamental de 1993 e do subsequente Acordo sobre Personalidade Jurídica de 1997, assinados entre a Santa Sé e o Estado de Israel.”
O comunicado esclarece ainda que “a Caritas Jerusalém não iniciou nenhum novo procedimento de registo junto das autoridades israelitas e continuará as suas operações humanitárias e de desenvolvimento em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém , em conformidade com o seu mandato”.
A solidariedade da Caritas Itália
As regulamentações emitidas pelo governo israelense surpreenderam os responsáveis pela Caritas Itália, que afirmam que seu apoio à Caritas Jerusalém permanecerá inabalável. “A Caritas Jerusalém”, enfatiza a vice-diretora Silvia Sinibaldi, “é uma organização humanitária que opera sob a governança da Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa e atua de acordo com um estatuto jurídico resultante de acordos entre o Estado de Israel e a Santa Sé , enquanto a Caritas Internationalis, que também consta na lista das autoridades israelenses, não é uma organização que realiza intervenções diretas no país. Em suma, não havia nenhum processo de registro em andamento, portanto, essa decisão é absolutamente surpreendente e inesperada.”
Intervenções não negociáveis
A Caritas Jerusalém reiterou imediatamente sua determinação em continuar sua missão tanto em Gaza quanto na Cisjordânia. “Este esclarecimento é necessário, mas não exclui as dificuldades concretas que caracterizam o trabalho diário no terreno, que é sempre muito incerto e instável”, explica Silvia Sinibaldi, acrescentando que “como rede Caritas, estamos ao lado da Caritas Jerusalém, oferecendo apoio diário e acompanhamento em oração, bem como apoiando intervenções tanto na Faixa de Gaza quanto na Cisjordânia”. Essas intervenções essenciais e indispensáveis, explica a vice-diretora, abrangem diversas áreas, da assistência médica ao apoio psicossocial.
Entre as muitas emergências enfrentadas durante estes difíceis meses de inverno, graças em parte à ajuda recebida através de doações para a rede Caritas, explica Silvia Sinibaldi, “há também um projeto que implementamos na Cisjordânia, permitindo que as famílias vivenciem este Natal com mais tranquilidade. É um projeto que oferece apoio financeiro e comunitário, bem como atividades, para 250 famílias nesses territórios. Enquanto isso, na Faixa de Gaza, apoiamos projetos relacionados à saúde materno-infantil e à saúde mental.” Aqui, por exemplo, o papamóvel que o Papa Francisco destinou à Caritas Jerusalém foi transformado em uma clínica pediátrica móvel. “Apoiar esta iniciativa em um lugar onde nada mais existe é como manter acesa uma chama de esperança.”
Leia mais
- "Em Gaza, até as crianças falam em suicídio. Uma crise humanitária se Israel nos bloquear". Entrevista com Monica Minard
- Israel expulsa Médicos Sem Fronteiras e outras 36 ONGs de Gaza
- Desarmar também a fome: o pão refém das guerras. Artigo de Maurizio Martina
- Caritas Jerusalém pede intervenção internacional em Gaza: "O mundo não deve olhar para o outro lado"
- “Crianças morrem de desnutrição”: Caritas Jerusalém denuncia falha na distribuição de ajuda humanitária em Gaza
- “O cessar-fogo serviu para tirar Gaza das prioridades e das manchetes”. Entrevista com Aitor Zabalgogeazkoa, da organização Médicos Sem Fronteiras
- Um mês após o cessar-fogo em Gaza, palestinos seguem vivendo em condições precárias e expostos à violência, alerta Médicos Sem Fronteiras
- Israel ameaça banir organizações humanitárias em meio à fome generalizada em Gaza
- Cem ONGs denunciam o "uso de ajuda humanitária como arma" por Israel em Gaza
- Agentes acusam ONGs de "encobrir" guerra de Israel em Gaza
- Em Gaza, recém-nascidos mortos de paz. Artigo de Tonio Dell'Olio
- Os submersos de Gaza. Artigo de Majd Al-Assar
- Gaza afunda sem socorro e proteção. Em Tel Aviv, há quem comemore