Israel expulsa Médicos Sem Fronteiras e outras 36 ONGs de Gaza

Foto: Laurence Gaei | Médicos sem Fronteiras

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05 Janeiro 2026

A reforma do cadastro de ONGs, realizada pelo Ministério de Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo, obrigará dezenas de ONGs que atuam nos territórios ocupados e em Gaza a encerrar suas atividades. Especificamente, 37 organizações humanitárias perderão suas licenças a partir de 1º de janeiro de 2026 e deverão cessar suas operações nesses territórios até março, anunciou o governo israelense em 30 de dezembro.

A reportagem é publicada por El Salto, 31-12-2025. 

Dentre as entidades afetadas, destaca-se Médicos Sem Fronteiras (MSF), organização que atende 1 de cada 5 leitos nos hospitais de Gaza.

A reforma da regulamentação das ONGs, iniciada em março passado, exigia que as ONGs internacionais fornecessem informações pessoais sobre todos os seus funcionários na Faixa de Gaza. Com a decisão de revogar as licenças dessas 37 ONGs, 15% das organizações humanitárias que atuam em Gaza não poderão mais operar, segundo a Associated Press.

O ministro dos Assuntos da Diáspora, Amichai Chikli, acusou essas ONGs de "explorarem estruturas humanitárias para fins terroristas". Além de Médicos Sem Fronteiras, que presta assistência médica a meio milhão de pessoas em Gaza, a lista inclui a Oxfam, o Conselho Norueguês para Refugiados, a Defense for Children International e o Comitê Internacional de Resgate, segundo o jornal israelense Haaretz . A Caritas e a Action Against Hunger também constam da lista de ONGs proibidas, de acordo com a Al Jazeera.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusa Israel de visar a organização sem provas, num momento em que Gaza “precisa de mais atenção médica, não de menos”. A retirada da ONG de Gaza afetaria centenas de milhares de pessoas que dependem de sua assistência. Segundo seus próprios dados, a MSF realizou 800 mil consultas médicas em 2025, tratou mais de 100 mil feridos, realizou mais de 22 mil cirurgias e auxiliou no parto de mais de 10 mil bebês.

A perseguição a ONGs independentes soma-se à criminalização da agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA), acusada sem provas de ligações com o Hamas, e ao assassinato de mais de 500 trabalhadores humanitários em Gaza desde 7 de outubro de 2023.

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