2025 foi o terceiro ano mais quente dos últimos 120 mil anos. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Foto: Pixabay

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05 Janeiro 2026

O aquecimento global é a maior ameaça existencial à humanidade. Se nada for feito, a maior parte da população mundial pagará um alto preço.

O artigo é de José Eustáquio Diniz Alves, Doutor em demografia, publicado por EcoDebate, 05-01-2026. 

Eis o artigo. 

O ano de 2025 marcou o aniversário de uma década do Acordo de Paris, mas ao invés de reduzir, houve um aumento do aquecimento global.

O ano registrou uma temperatura de 1,47º C acima da média do período pré-industrial (1850-1900), provavelmente, o terceiro ano mais quente dos últimos 120 mil anos.

A anomalia da temperatura em 2025 ficou abaixo apenas de 2024 (com 1,60º C) e de 2023 (com 1,48º C), sendo que a média da anomalia dos últimos três anos ficou em 1,52º C, portanto, acima do limite mínimo do Acordo de Paris, conforme mostra o gráfico abaixo.

Fonte: Eliot Jacobson | Ecodebate

Um aquecimento global de 1,5º C em relação ao período pré-industrial tem uma ampla gama de efeitos em escala global, afetando ecossistemas, sociedades e economias. Os principais efeitos são:

Alterações nos Padrões Climáticos (Mudanças no ciclo das chuvas, correntes oceânicas e padrões de vento).

Acidificação dos Oceanos (Diminuição do pH da água, prejudicando organismos marinhos como corais, moluscos e outras espécies que dependem de carbonato de cálcio).

Impactos na Biodiversidade (Extinção de espécies que não conseguem se adaptar, migração de outras para novas áreas e desequilíbrios ecológicos).

Consequências para a Saúde Humana (Aumento de doenças respiratórias, surtos de dengue, malária e outros problemas relacionados ao clima).

Impactos Econômicos (Perdas agrícolas, carestia, insegurança alimentar, aumento dos custos de seguros, deslocamento de populações e pressão sobre recursos financeiros globais).

Crises Humanitárias e Deslocamentos (Migração climática, xenofobia, conflitos por recursos e aumento da desigualdade global).

Ondas letais de calor (Maior risco de incêndios florestais, estresse térmico em humanos e animais, aumento da mortalidade e diminuição da expectativa de vida).

Derretimento de Gelo e Elevação do Nível do Mar (Inundações em áreas costeiras, perda de habitat, e aumento da vulnerabilidade de cidades e ilhas).

Segundo o climatologista James Hansen o Planeta deve atingir 1,7º C acima da média da temperatura do período pré-industrial e a marca de 2º C pode ser atingida até o ano de 2040. Ultrapassar a anomalia de 2 °C acima dos níveis pré-industriais representa um ponto crítico de risco sistêmico para o planeta e a economia global.

O limite de 2 °C foi estabelecido no Acordo de Paris (2015) como o teto máximo aceitável para evitar os piores impactos das mudanças climáticas — e mesmo essa meta já era considerada arriscada. Superá-la amplifica exponencialmente os perigos ambientais, sociais e econômicos.

O gráfico abaixo mostra que estamos em vias de retroceder o relógio climático em mais de 50 milhões de anos e próximos de reverter uma tendência de resfriamento de milhões de anos em apenas dois séculos.

Fonte: Ecodebate

Uma “Terra estufa” (super quente) e com menos biodiversidade será não só um lugar mais triste para se habitar, como poderá ser a Era de um colapso civilizacional e de uma apocalipse ambiental. Assim como o desenvolvimento sustentável se tornou uma contradição em termos, o tripé da sustentabilidade virou um trilema, conforme argumentam Martine e Alves (2015).

A 6ª extinção em massa das espécies e o agravamento do aquecimento global são o prelúdio da possibilidade de um colapso ecossocial.

O aquecimento global é a maior ameaça existencial à humanidade. Se nada for feito, a maior parte da população mundial pagará um alto preço.

No ritmo atual, como mostrou o jornalista David Wallace-Wells, ano a ano, estaremos cada vez mais perto de uma “Terra inabitável”.

Referências bibliográficas

ALVES, JED. Crescimento demoeconômico no Antropoceno e negacionismo demográfico, Liinc em Revista, RJ, v. 18, n. 1, e5942, maio 2022. Acesse aqui.

ALVES, JED. A dinâmica demográfica global em uma “Terra inabitável”, Revista Latinoamericana de Población, Vol. 14 Núm. 26, dezembro de 2019. Acesse aqui.

MARTINE, G. ALVES, JED. Economia, sociedade e meio ambiente no século 21: tripé ou trilema da sustentabilidade? R. bras. Est. Pop. Rebep, n. 32, v. 3, Rio de Janeiro, 2015 (em português e em inglês). Acesse aqui.

James Hansen, Pushker Kharecha, Dylan Morgan and Jasen Vest. Global Temperature in 2025, 2026, 2027, 18/12/ 2025. Acesse aqui.

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