03 Abril 2025
Juntas, Itaipu e Belo Monte podem perder energia para abastecer 1,5 milhão de pessoas anualmente por causa de mudanças no regime de chuvas.
A informação é publicada por ClimaInfo, 02-04-2025.
Os “rios voadores” da Amazônia, corredores de umidade que saem da floresta em direção ao sul da América do Sul, têm grande influência sobre o clima do continente. Mas o desmatamento amazônico vem alterando essa dinâmica, o que muda tanto as temperaturas como o regime de chuvas. E as hidrelétricas, a principal fonte de energia elétrica brasileira, também sentem esses efeitos.
O desmate da Amazônia faz as duas maiores hidrelétricas instaladas no Brasil – a binacional Itaipu, no rio Paraná, e Belo Monte, no rio Xingu – perderem juntas, por ano, cerca de 3.800 gigawatt-hora (GWh) de capacidade de geração. É energia suficiente para abastecer 1,5 milhão de pessoas, equivalente a mais de R$ 1 bilhão de receitas anuais no setor elétrico, destacam O Globo e Vocativo.
Os números fazem parte de um estudo do Climate Policy Initiative (CPI), da PUC-Rio, e do projeto Amazônia 2030. De forma inédita, a pesquisa quantificou em termos práticos qual é o tamanho do impacto da redução dos “rios voadores” amazônicos para a hidreletricidade no Brasil. Somadas, Itaipu e Belo Monte respondem hoje por 11% da capacidade hidrelétrica instalada no país.
Belo Monte, que fica na Amazônia – onde, vale lembrar, sua instalação causou um estrago socioambiental imenso – é afetada mais diretamente pelo desmate, perdendo 2.400 GWh de capacidade de geração anual. Já Itaipu, que está a mais de 1.000 km da fronteira do bioma amazônico, perde 1.380 GWh.
Para chegar a esses números, os pesquisadores cruzaram dados detalhados de circulação atmosférica com mapas das áreas desmatadas da Floresta Amazônica. Em Itaipu, cerca 17% da área florestada mais relevante para sua operação já foram desmatados. No caso de Belo Monte, 13% da área da floresta crucial para a operação da usina foram devastados. Vale lembrar que as hidrelétricas foram instaladas com 30 anos de diferença: Itaipu começou a operar em 1984, e Belo Monte, em 2016.
“Em termos de políticas públicas, é fundamental que haja uma concertação que envolva o setor elétrico para ajudar a conter essa dinâmica de desmatamento que está impactando a operação deles mesmos. É muito importante que se consiga estancar esse desmatamento e, se possível, também recompor a floresta em projetos de restauro e reflorestamento”, disse Gustavo Pinto, pesquisador do CPI e coautor do estudo.