25 Março 2025
"Conectar a tradição anterior de estudos baseados nas coleções, nos documentos nos arquivos vaticanos, diocesanos e religiosos a essas novas realidades constitui um desafio indicado por essas páginas: com a consciência de um empenho concentrado em uma história plenamente autônoma, não mais auxiliar da teologia", escreve Marco Roncalli, jornalista e escritor, em artigo publicado por Avvenire, 24-03-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.
O tema central do livro escrito por Daniele Menozzi examina suas dinâmicas e processos. Décadas se passaram desde meados da década de 1970, quando professores de orientação conservadora e clerical acreditavam que o ensino da história da Igreja deveria apoiar a instituição eclesiástica, e aqueles de orientação marxista que achavam que não tinha razão de ser. Hoje, entretanto, essa disciplina alcançou seu status científico e é reconhecida como uma contribuição valiosa na documentação de uma dimensão que também é relevante para a sociedade contemporânea. Desde que - precisamente - livre de subjugação propagandística, seja capaz de contar, sem omissões deliberadas ou revisionismo interessado, até mesmo erros ou fraquezas da Igreja Católica, como reiterou o Papa Francisco em sua carta sobre a renovação do estudo da história eclesial.
Se é verdade que na base de toda operação historiográfica destinada a nos restituir o passado está, antes de tudo, a pesquisa e a análise de fontes avaliadas segundo os princípios de autenticidade e veracidade, isso não deveria valer também para a história da Igreja? Isso também não deveria valer quando é preciso reconstruir fenômenos ligados a expressões da fé cristã, deixando para a teologia sua interpretação à luz do plano salvífico de Deus? É verdade, como sustentava Paulo VI, que na história da Igreja devemos sempre ter em mente aquele “coeficiente transcendente” (a ação “oculta” de Deus, da Providência) que a torna diferente de uma mera história de homens?
Esses são os questionamentos que Daniele Menozzi aborda em suas Lezioni di storia della Chiesa (pp. 212, € 18, Morcelliana), que chega às livrarias em um momento em que novos cenários estão tomando forma de acordo com a orientação do Papa Francisco, que retira a disciplina da história da Igreja da tutela do magistério e da teologia, mas em que também estão ressurgindo - como décadas atrás - autores ou correntes que confiam em estudos supostamente históricos a confirmação de suas ideologias: sejam elas críticas ao pontificado ou funcionais aos seus desígnios.
Menozzi analisa tudo isso e reconstrói aqui as dinâmicas subjacentes a esses processos, analisando também as ferramentas clássicas de trabalho dos historiadores - dicionários, repertórios, manuais, revistas - ainda valorizadas para responder às novas exigências do conhecimento. Dito isso, além de concordar com todas as avaliações de Menozzi, cuja preocupação principal é apenas o estatuto científico e o rigor metodológico dessa matéria, depois de ter dissecado suas origens, a irrupção do método crítico, os refinamentos na época da historiografia confessional, os protagonistas e as escolas do percurso rumo à secularização (incluindo o compromisso de Hubert Jedin, que considera a história da Igreja tanto histórica quanto teológica), resta um aspecto que não deve ser subestimado. Aquele ligado às mudanças provocadas pela globalização, pela revolução digital, pela disponibilidade do patrimônio audiovisual e sonoro, legado das mídias de massa (que agora está sendo recuperado graças à Foundation Mac - Memórias Audiovisuais do Catolicismo).
Conectar a tradição anterior de estudos baseados nas coleções, nos documentos nos arquivos vaticanos, diocesanos e religiosos a essas novas realidades constitui um desafio indicado por essas páginas: com a consciência de um empenho concentrado em uma história plenamente autônoma, não mais auxiliar da teologia.