21 Março 2025
Um turista brasileiro morreu enquanto visitava o monumento do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, em 16 de março, supostamente devido à falta de atendimento médico na área. Isso levou o serviço local de defesa do consumidor a fechar o principal destino turístico do Brasil para visitantes no dia seguinte.
A reportagem é de Eduardo Campos Lima, publicada por Crux, 20-03-2025.
O parque onde fica a estátua gigante só foi reaberto no dia 18 de março, depois que a reitoria do Santuário contratou uma ambulância e a manteve no complexo para oferecer suporte médico aos turistas — apesar de não caber à Igreja prestar nenhum serviço na área. Agora, a Arquidiocese do Rio de Janeiro espera que a gestão do monumento possa ser transferida para ela ou que toda a área de reserva ao redor possa ficar sob responsabilidade do município, para que tragédias como essa não ocorram mais.
Alex Duarte, um turista gaúcho de 54 anos, estava subindo as escadas que levam à base da estátua na manhã de domingo quando, de repente, sentiu-se mal. Imagens de câmeras de segurança mostram como diferentes pessoas tentaram ajudar o homem e fizeram massagem cardíaca, incluindo sua sobrinha e um padre do Santuário.
Eram 7:39 da manhã quando ele desmaiou, e uma ambulância só chegou às 8:13 da manhã, quando nada mais pôde ser feito. Os paramédicos confirmaram sua morte 9 minutos depois de chegarem. Ele foi enviado para um hospital na cidade, que disse que ele teve um ataque cardíaco.
A morte de Duarte gerou indignação no Brasil. Sua sobrinha reclamou nas redes sociais sobre o fato de o monumento não ter ambulância ou serviços médicos adequados. De fato, o centro médico do parque estava fechado no momento da emergência. As empresas responsáveis por fornecer serviços no monumento alegaram que o consultório médico só abre às 8h.
O Santuário do Cristo Redentor emitiu nota no dia dizendo que o parque “não conta com ambulância, acessibilidade universal, bebedouros, corpo de bombeiros voluntários, banheiros com acessibilidade adequada, escadas rolantes e elevadores em pleno funcionamento, internet e sinal de celular”.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do governo federal responsável por cuidar dos parques e reservas nacionais, respondeu à arquidiocese que cabe às empresas que têm a concessão para oferecer serviços na área fornecer suporte médico aos turistas.
O Santuário e o monumento estão localizados dentro do Parque Nacional da Tijuca, uma reserva florestal federal supervisionada pelo ICMBio. Segundo o padre Omar Raposo, reitor do Santuário, o órgão não recebe dinheiro suficiente do governo federal e não consegue cuidar adequadamente do parque.
“Esse é o símbolo turístico mais importante do Brasil. Infelizmente, a infraestrutura do monumento é insuficiente para atender o grande número de turistas que o visitam todos os dias”, disse Raposo ao Crux .
Desentendimentos entre o ICMBio e o Santuário sobre a administração do Cristo Redentor não são novidade. Em 2021, Raposo alegou que ele e outros padres foram impedidos de entrar no Santuário em diversas ocasiões por funcionários do ICMBio.
“Mas desta vez, o problema é mil vezes pior, porque uma pessoa morreu aqui. É uma pena”, disse ele.
Depois que o serviço de defesa do consumidor do governo estadual fechou o monumento em 17 de março, Raposo decidiu pagar por uma ambulância ele mesmo, para que o parque fosse reaberto. O ICMBio também contratou uma ambulância no mesmo dia. Coincidentemente, um turista dinamarquês também se sentiu mal enquanto subia o caminho para o monumento em 18 de março. Ele recebeu atendimento médico em uma das ambulâncias e foi levado para um hospital, sendo liberado algumas horas depois.
“Outra tragédia poderia ter acontecido. Graças a Deus decidimos trazer aquela ambulância para cá”, disse Raposo.
Desde o ano passado, o Santuário vem pressionando diferentes autoridades para mudar as coisas. Um projeto de lei foi apresentado por um congressista, por exemplo, com o objetivo de transferir a área do monumento para a arquidiocese, que teria permissão para cuidar dela da maneira que quisesse.
“Tem outro projeto de lei tramitando na Câmara dos Deputados para transferir a gestão do Parque da Tijuca para a Prefeitura do Rio de Janeiro”, disse Raposo.
Ele disse que a prefeitura está muito mais preparada para lidar com os desafios da gestão do parque, que foi parcialmente ocupado por favelas, e com a dimensão do turismo.
“Temos trabalhado lado a lado com o governo da cidade em uma série de iniciativas. Acho que trazer a administração do parque para a cidade seria uma solução muito positiva. Estou esperançoso sobre isso”, disse Raposo.