13 Novembro 2024
- O relatório trouxe à luz a conspiração de silêncio de longa data sobre o abuso flagrante de John Smyth, um advogado cristão, já falecido, que abusou de mais de 100 crianças no Reino Unido e na África, e que foi encoberto pela Igreja da Inglaterra.
- "Quando fui informado em 2013 de que a polícia havia sido notificada, acreditei erroneamente que uma resolução apropriada se seguiria", reconhece Welby, que admite que "devo assumir a responsabilidade pessoal e institucional pelo longo e traumatizante período entre 2013 e 2024".
A reportagem é Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 12-11-2024.
O arcebispo de Canterbury, Justin Welby, a figura mais alta da Igreja Anglicana depois do rei Charles III, anunciou sua renúncia, depois de admitir sua má gestão em um caso de abuso infantil que ficou escondido por décadas e envolveu pelo menos uma centena de vítimas, entre o Reino Unido e a África.
Statement from the Archbishop of Canterbury.https://t.co/aNnuLBMapo pic.twitter.com/pIIR1911QU
— Archbishop of Canterbury (@JustinWelby) November 12, 2024
Em um comunicado, Welby admite que o relatório "trouxe à luz a conspiração de silêncio mantida por tanto tempo sobre o abuso flagrante de John Smyth", um advogado cristão, já falecido, que abusou de mais de 100 crianças no Reino Unido e na África, e que foi encoberto pela Igreja da Inglaterra.
A auditoria chega a apontar como o próprio Welby, que conhecia o agressor, não agiu corretamente. "Oportunidades foram perdidas para estabelecer se ele continuava a representar uma ameaça abusiva na África do Sul devido a essas inações de altos funcionários da igreja", concluiu a investigação.
"Quando fui informado em 2013 de que a polícia havia sido notificada, acreditei erroneamente que uma resolução apropriada se seguiria", reconhece Welby, que admite que "devo assumir a responsabilidade pessoal e institucional pelo longo e traumatizante período entre 2013 e 2024".
"Espero que esta decisão deixe claro o quão seriamente a Igreja da Inglaterra entende a necessidade de mudança e nosso profundo compromisso com a criação de uma Igreja mais segura. Ao renunciar, faço-o com a dor de todas as vítimas e sobreviventes de abusos", conclui o Arcebispo de Canterbury.
A renúncia de Welby é um grande golpe para a Comunhão Anglicana e também para o trabalho ecumênico. O arcebispo de Canterbury foi um dos principais apoiadores do Papa Francisco para o retorno à unidade das confissões cristãs.
A pressão sobre Welby vinha aumentando desde quinta-feira, quando o relatório independente descobriu que, pelo menos desde 2013, o prelado poderia e deveria ter informado as autoridades britânicas e sul-africanas, e não o fez. De fato, alguns prelados anglicanos, como a bispa de Newcastle, Helen-Ann Hartley, chamaram sua situação de "insustentável", pedindo sua renúncia porque ele havia "perdido a confiança de seu clero".
A princípio, Welby admitiu que "havia pensado" em renunciar, mas que havia decidido não fazê-lo, embora a pressão o fizesse anunciar sua aposentadoria. A renúncia de Welby ocorre em um cenário de abuso sexual histórico generalizado na Igreja da Inglaterra, a ponto de vários relatórios chamarem a Igreja da Inglaterra de "um lugar onde os abusadores podem se esconder".
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