“Dormindo com o inimigo”: OPEP na COP28 faz ofensiva publicitária em prol de combustíveis fósseis

Foto: UN Climate Change | Flickr

Mais Lidos

  • Não é tragédia, é omissão de planejamento

    LER MAIS
  • Ao mesmo tempo que o Aceleracionismo funciona, em parte de suas vertentes, como um motor do que poderíamos chamar de internacional ultradireitista, mostra a exigência de uma esquerda que faça frente ao neorreacionarismo

    Nick Land: entre o neorreacionarismo e a construção de uma esquerda fora do cânone. Entrevista especial com Fabrício Silveira

    LER MAIS
  • Ciclo de estudos promovido pela Comissão para Ecologia Integral e Mineração (CEEM), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com o Instituto Humanitas Unisinos - IHU, debate a ecologia integral e o ecossocialismo em tempos de mudanças climáticas. Evento ocorre na próxima quarta-feira, 04-03-2026

    “A ecologia é a questão política, social e humana central no século XXI”, constata Michel Löwy

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

13 Dezembro 2023

Pela 1ª vez presente em uma COP climática, o cartel de países produtores de petróleo aproveitou a oportunidade para defender a indústria de combustíveis fósseis.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 13-12-2023.

Na COP que discute o futuro dos combustíveis fósseis, os produtores dessa fonte de energia tentam vencer a ciência e a pressão dos países mais vulneráveis e de ativistas climáticos para manter as coisas do jeito que estão – uma economia global altamente dependente de petróleo, gás e carvão.

Pela 1ª vez, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) contou com pavilhão próprio em uma Conferência do Clima a convite feito pelo presidente da COP28, Sultan Al-Jaber, para que a indústria petroleira estivesse presente nas negociações de Dubai.

Sem um pingo de vergonha, o cartel petrolífero fez a festa. Além de pressionar seus membros para barrar qualquer esforço para que eliminação (phase out) dos combustíveis fósseis constasse no texto da COP, o grupo também realizou eventos paralelos que destacaram o “lado positivo” da indústria petroleira.

Um dos eventos, relatado pela Reuters, mirou o público jovem presente na COP. O secretário-geral da OPEP, Haitham Al-Ghais, argumentou que os combustíveis fósseis seguirão sendo fundamentais para a economia global no futuro por conta do crescimento populacional e dos “altos custos” das fontes renováveis.

Em paralelo, os ministros de energia da região árabe se reuniram no vizinho Catar na última 2ª feira (11/12) para defender os interesses da indústria petroleira com um argumento na ponta da língua – ao invés de abandonar a produção de petróleo, o mundo precisa ampliá-la. “O Kuwait trabalha de acordo com uma política baseada na preservação das fontes de riqueza petrolífera e na sua exploração e desenvolvimento”, disse o ministro do petróleo do país, Saad Al-Barrak, citado pela Reuters. A Exame também abordou a notícia.

A presença maciça da indústria petroleira incomodou grupos ativistas, representantes da juventude e lideranças indígenas na COP28. “Os Povos da Floresta estão aqui em peso, mas não se sentam à mesa de decisão. Os negociadores são outros. Essa COP tem dono”, lamentou Ivoneide Cardozo, da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, de Rondônia, à Folha.

Em tempo: Além da indústria dos combustíveis fósseis, a presença de negacionistas da crise climática na COP28 também chamou a atenção. De acordo com a Corporate Accountability, citada pelo Guardian, pelo menos 166 participantes credenciados da COP são de grupos industriais, entidades setoriais e agências de relações públicas com histórico de negação climática. “É obsceno que as organizações que negam o clima e as agências de relações públicas da indústria fóssil sejam bem-vindas nestas negociações para distorcer e mentir”, criticou David Tong, da Oil Change International.

Leia mais