Especialistas pedem moratória global para projetos de geoengenharia climática

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17 Setembro 2023

Novo relatório sugere considerar possibilidades de geoengenharia solar para conter aquecimento global, mas defende uma moratória global prévia até que novos estudos esclareçam os riscos.

A informação é de ClimaInfo, 15-09-2023.

Um relatório divulgado nesta 5a feira (14/9) causou polêmica entre especialistas climáticos. O documento apresentado pela Climate Overshoot Commission, que reúne especialistas e lideranças internacionais, sugeriu novas pesquisas sobre a geoengenharia, principalmente na forma de gestão da radiação solar, como maneira para reduzir a quantidade de radiação solar que atinge a superfície terrestre.

O documento inclui a geoengenharia em um rol de ações potenciais para os países restringirem o aquecimento global dentro dos limites definidos pelo Acordo de Paris. De acordo com o relatório, os governos devem avançar na eliminação gradual dos combustíveis fósseis, em investimentos na adaptação aos impactos da mudança do clima e no uso de tecnologias para remoção do dióxido de carbono da atmosfera.

Ao mesmo tempo, o documento também sugere uma moratória global que impeça projetos de geoengenharia solar enquanto não houver clareza sobre potenciais efeitos colaterais dessa tecnologia. “Há uma discussão internacional crescente sobre o gerenciamento da radiação solar. Mas o perigo reside nas consequências não intencionais e nas consequências transfronteiriças”, comentou Pascal Lamy, ex-chefe da Organização Mundial do Comércio (OMC) que presidiu a comissão responsável pelo relatório, ao Guardian.

A ambiguidade do relatório sobre a questão da geoengenharia causou incômodo entre os cientistas. Alguns integrantes e representantes de grupos jovens que acompanhavam o trabalho se desligaram da comissão antes da conclusão do relatório, citando preocupações com o foco na geoengenharia solar como uma opção legítima contra a crise climática.

“Este relatório enquadra a remoção de carbono e a geoengenharia solar como estratégias-chave para enfrentar o aquecimento global, embora sejam, na verdade, tecnologias altamente especulativas e falsas soluções para a crise climática”, argumentou Lili Fuhr, do Center for International Environmental Law (CIEL).

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