Os jesuítas deixam Rupnik sem companhia

Foto: Vatican News

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26 Julho 2023

  • Carta aberta do padre Verschueren sobre o padre que recebeu um decreto de renúncia em 14 de junho, como resultado de sua recusa em "empreender um caminho de verdade e confronto com os mal denunciados por tão muitas pessoas que se sentiram magoadas".

  • Após 30 dias, não havendo interposição de recurso contra tal decreto, Marko Rupnik deixou de ser membro da Companhia de Jesus.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 26-07-2023. 

O sacerdote Marko I. Rupnik “não é mais um religioso jesuíta”. Assim escreveu o delegado das Casas e Obras Romanas Internacionais da Companhia de Jesus, o padre Johan Verschueren em carta aberta informando que "os trinta dias previstos para ele recorrer" contra o decreto de renúncia à Companhia de Jesus assinado pelo Padre Geral, que lhe foi entregue em 14 de junho, “segundo as novas normas canônicas a esse respeito”.

Verschueren lembra que "Rupnik havia apresentado seu pedido de saída da Companhia já em janeiro de 2023", mas explica que esse "pedido nunca representou de forma alguma um 'direito' para ele", pois os votos assumidos na Companhia de Jesus "o obrigaram a um compromisso de obediência por toda a vida e não há obrigação por parte da Congregação religiosa de atender tal pedido".

O religioso salientou que "a Companhia não quis aceitar este seu pedido" movido "pelo desejo de o vincular às suas responsabilidades perante tantas acusações, convidando-o a enveredar por um caminho de verdade e de confronto com o mal denunciado por tantas pessoas que se sentiram magoadas". Como Rupnik "não quis aceitar" o convite, a Companhia de Jesus decidiu desligá-lo.

O delegado para as Casas e Obras Romanas Internacionais dos Jesuítas, que também foi superior maior de Rupnik, lamenta a incapacidade do seu antigo confrade "de enfrentar a voz de tantas pessoas que se sentiram magoadas, ofendidas e humilhadas pelo seu comportamento e conduta para com eles", mas acrescenta que "o que disse não exclui o bem que fez e o fruto espiritual do qual foi veículo para tantos outros na Igreja".

Processo canônico

Sobre a possibilidade de proceder "a um julgamento canônico", Verschueren assinala que isso não é em si da competência da Companhia de Jesus, mas da Santa Sé. "Sempre quis como Superior Maior, nas diversas circunstâncias destes longos e complexos acontecimentos, poder instaurar um processo que pudesse garantir a investigação judicial dos fatos, o direito de defesa e as consequentes sanções (ou eventual absolvição)", prossegue o jesuíta, "mas por várias razões, entre os atuais limites dos regulamentos relativos a situações semelhantes, não o permitiram".

Por fim, Verschueren declara que "é firme vontade da Companhia de Jesus distanciar-se legalmente do Centro Aletti (comunidade que une o estudo, a arte sacra e a busca do diálogo na esteira da tradição cristã do Oriente e do Ocidente) abandonando formalmente a Associação Pública de Fiéis com o mesmo nome e procurando a melhor forma de terminar as relações de colaboração com o Centro", onde, entre outras coisas, já não existe uma comunidade jesuíta residente.

“A todos aqueles que, de alguma forma, se sentiram e ainda se sentem feridos e feridas por este que foi nosso irmão”, conclui o clérigo, “garanto a minha total solidariedade e abertura para encontrar no futuro os melhores caminhos de reflexão para encontrar a paz e a reconciliação interior através de caminhos que possamos estudar juntos", indica também Verschueren em sua carta aberta.

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