Principais causas da perda de biodiversidade

As florestas são cortadas e convertidas para outros usos, principalmente agrícolas | Foto: CIFOR/Axel Fassio

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10 Janeiro 2023

A atividade humana está empurrando um milhão de espécies de plantas e animais para a extinção, sendo que mais da metade do PIB mundial é dependente da natureza.

A reportagem é do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), reproduzida por EcoDebate, 09-01-2023.

Analisamos os cinco principais impulsionadores da perda da natureza, identificados pelo recente Relatório de Avaliação Global da Plataforma Intergovernamental de Política Científica sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistema (IPBES).

Mudanças na utilização da terra e do mar

O maior impulsionador da perda de biodiversidade é a forma como as pessoas utilizam a terra e o mar. Isto inclui a transformação de áreas de terra tais como florestas, áreas úmidas e outros habitats naturais para usos agrícolas e urbanos.

Desde 1990, cerca de 420 milhões de hectares de floresta foram perdidos através da sua transformação para outros usos da terra. A expansão agrícola continua sendo o principal impulsionador do desmatamento, da degradação das florestas e da perda da biodiversidade florestal.

O sistema alimentar global é o principal impulsionador da perda da biodiversidade, sendo a agricultura por si só a ameaça identificada em mais de 85% das 28.000 espécies em risco de extinção.

A extração de materiais como os minerais do fundo do mar e a construção de cidades e vilas também têm impacto sobre o meio ambiente e a biodiversidade.

Reconsiderar a forma como as pessoas cultivam e consomem alimentos é uma forma de reduzir a pressão sobre os ecossistemas. As terras agrícolas degradadas e em desuso são ideais para restauração, o que pode apoiar a proteção e restauração de ecossistemas críticos, como florestas, turfeiras e áreas úmidas.

Mudança climática

Desde 1980, as emissões de gases do efeito estufa duplicaram, elevando a temperatura média global em pelo menos 0,7 ºC. O aquecimento global já está afetando espécies e ecossistemas ao redor do mundo, particularmente os mais vulneráveis, como recifes de coral, montanhas e ecossistemas polares. Há indicações de que os aumentos de temperatura induzidos pela mudança climática podem ameaçar até mesmo uma em cada seis espécies em nível global.

Ecossistemas como florestas, turfeiras e pântanos compõem reservas de carbono globalmente importantes. Sua conservação, restauração e durabilidade são fundamentais para alcançar as metas do Acordo de Paris. Trabalhando com a natureza, as emissões podem ser reduzidas em até 11,7 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente por ano até 2030, mais de 40% do que é necessário para limitar o aquecimento global.

Poluição

A poluição, incluída a proveniente de produtos químicos e resíduos, é um importante impulsionador da biodiversidade e da transformação dos ecossistemas, com efeitos diretos e particularmente devastadores sobre a água doce e os habitats marinhos. As populações de plantas e insetos estão diminuindo como resultado do uso persistente de inseticidas altamente perigosos e não-seletivos.

A poluição marinha proveniente do plástico decuplicou desde 1980, afetando pelo menos 267 espécies animais, incluindo 86% das tartarugas marinhas, 44% das aves marinhas e 43% dos mamíferos marinhos. A poluição do ar e do solo também estão aumentando.

Globalmente, a acumulação de nitrogênio na atmosfera é uma das mais sérias ameaças à integridade da biodiversidade global. Quando o nitrogênio é depositado nos ecossistemas terrestres, pode-se ocorrer uma série de efeitos em cascata, resultando muitas vezes no declínio geral da biodiversidade.

Reduzir a poluição do ar e da água e gerenciar com segurança substâncias químicas e resíduos é crucial para enfrentar a crise da natureza.

Exploração direta de recursos naturais

O último relatório do IPBES sobre o uso sustentável de espécies silvestres revela que o uso insustentável de plantas e animais não está apenas ameaçando a sobrevivência de um milhão de espécies em todo o mundo, mas o sustento de bilhões de pessoas que dependem dessas espécies para alimentação, combustível e renda.

Segundo cientistas, deter e reverter a degradação das terras e oceanos pode evitar a perda de um milhão de espécies ameaçadas de extinção. Além disso, a restauração de apenas 15% dos ecossistemas em áreas prioritárias melhorará os habitats, reduzindo assim as extinções em 60%.

Espera-se que as negociações da COP15 foquem na proteção de plantas, animais e micróbios cujo material genético é a base para medicamentos e outros produtos que salvam vidas. Esta questão é reconhecida como o acesso e a partilha de benefícios regida por um acordo internacional – o Protocolo de Nagoya.

Os representantes na COP15 estarão analisando como as comunidades marginalizadas, incluindo os povos indígenas, podem se beneficiar de uma economia de subsistência – um sistema baseado no fornecimento e regulamentação de serviços de ecossistemas para as necessidades básicas. Através de sua conexão espiritual com a terra, os povos indígenas desempenham um papel vital de proteção como guardiões da biodiversidade.

Espécies invasoras

Espécies exóticas invasoras (EEI) são animais, plantas, fungos e microorganismos que ingressaram e se estabeleceram em um meio ambiente fora de seu habitat natural. As EEI têm impactos devastadores na vida nativa, vegetal e animal, causando o declínio ou mesmo a extinção de espécies nativas e afetando negativamente os ecossistemas.

A economia global, graças ao aumento do transporte de mercadorias e de viagens, tem facilitado a introdução de espécies exóticas em longas distâncias e para além das fronteiras naturais. Os efeitos negativos dessas espécies na biodiversidade podem ser intensificados pela mudança climática, pela destruição do habitat e pela poluição.

As EEI contribuíram para quase 40%, quando a causa é conhecida, de todas as extinções animais desde o século XVII. Enquanto isso, estima-se que as perdas ambientais decorrentes da introdução de pestes na Austrália, no Brasil, na Índia, na África do Sul, no Reino Unido e nos Estados Unidos atinjam mais de US$ 100 bilhões por ano.

As EEI são uma questão global que exige cooperação e ação internacional. Prevenir o movimento internacional destas espécies e a detecção rápida nas fronteiras é menos oneroso do que o controle e a erradicação.

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