Autoridade do Vaticano pede desculpas por remover vídeo de subsídio LGBTQIA+ de página do Sínodo 2021-2023

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14 Dezembro 2021

 

Um funcionário do Escritório do Sínodo dos Bispos do Vaticano se desculpou por remover da página de subsídio do Sínodo sobre a Sinodalidade um link a um vídeo sobre católicos LGBTQIA+, organizado pelo New Ways Ministry – e voltou a publicar o vídeo original em questão.

 

A reportagem é de Christopher White, publicada por National Catholic Reporter, 13-12-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

Em uma newsletter de 12 de dezembro, o diretor de comunicação do sínodo disse que ele teve “pessoalmente tomado a iniciativa de ‘despublicar’ um post promovido pelo New Ways Ministry por razões de procedimento interno”.

“Isso trouxe dor para toda a comunidade LGBTQIA+ que novamente se sentiu excluída”, escreve Thierry Bonaventura.

A reversão ocorre menos de uma semana após o vídeo “Das Margens ao Centro: um Webinar sobre Católicos LGBTQIA+ e Sinodalidade”, ter sido removido em 7 de dezembro do site de subsídios para o Sínodo 2021-2023 sobre Sinodalidade.

O vídeo de 75 minutos era uma apresentação de um webinar realizado em 24 de outubro pelo teólogo Robert Choiniere, da Fordham University, que também é o diretor de formação de adultos na Igreja São Francisco Xavier, em Manhattan.

De acordo com relatos da mídia católica conservadora, o vídeo foi removido depois que os funcionários do sínodo foram informados de que a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos censurou o New Ways Ministry em 2010 por seu apoio ao casamento civil para casais do mesmo sexo.

Como o NCR relatou pela primeira vez em 8 de dezembro, após a remoção do vídeo, o New Ways Ministry revelou que o Papa Francisco, em uma série de correspondência escrita, elogiou a organização por seu alcance à comunidade LGBTQIA+. O Papa também se referiu a uma de suas fundadoras, a irmã Jeannine Gramick, como “uma mulher valente” que havia sofrido muito por seu ministério.

O diretor-executivo do New Ways Ministry, Francis DeBernardo, classificou a decisão original de retirar o vídeo de “um grande erro”.

Agora, parece que o escritório do sínodo do Vaticano concorda.

“Sinto que devo pedir desculpas a todas as pessoas LGBTQIA+ e aos membros do New Ways Ministry pela dor causada”, escreveu Bonaventura na newsletter oficial do Secretariado-Geral do Sínodo dos Bispos.

Em seguida, expressou a “firme vontade” de “todo o Secretariado-Geral do Sínodo”, junto com seu compromisso pessoal, “de não excluir aqueles que desejam realizar este processo sinodal com um coração sincero e um espírito de diálogo e discernimento real”.

Junto com a reinserção do vídeo no site de subsídios do Sínodo, o vídeo foi incluído na newsletter do Sínodo. Bonaventura também convidou grupos LGBTQIA+ e outros que “sentem que vivem à ‘margem’ da Igreja” para compartilharem seus materiais com o escritório do Sínodo.

“Caminhando juntos”, concluiu Bonaventura, “às vezes alguém pode cair, mas o importante é se levantar com a ajuda dos irmãos”.

Em 13 de dezembro, o New Ways Ministry recebeu o pedido de desculpas e disse que continuaria seus esforços para encorajar o envolvimento LGBTQIA+ no processo sinodal.

“Este pedido de desculpas sem precedentes de um escritório do Vaticano corrige o erro anterior e amplifica, ainda mais, a acolhida que o Papa Francisco deu às pessoas LGBTQIA+. Deus realmente trabalha de maneiras misteriosas, transformando o que poderia ter sido um grande dano em um instrumento de maior conexão”, escreveu DeBernardo. “O escritório sinodal criou agora um canal especial para as pessoas LGBTQIA+ compartilharem suas histórias. Cada diocese deve seguir este exemplo e estabelecer seus próprios canais de comunicação com as comunidades LGBTQIA+”.

Em particular, DeBernardo destacou Bonaventura, dizendo “suas ações são um exemplo da graça incrível que pode ser trazida à vida quando se pratica a honestidade e a humildade, e se preocupa em saber como suas ações podem prejudicar outras pessoas”.

“Da sua parte, as pessoas LGBTQIA+ podem responder às desculpas e correções do Vaticano participando das consultas sinodais e compartilhando as jornadas de suas vidas e sua fé”, disse DeBernardo. “A Igreja beneficiar-se-á muito com o envolvimento LGBTQIA+”.

 

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