Fogo ligado a desmatamento continua a ameaçar a Amazônia

Foto: Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real | Fotos Públicas

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17 Agosto 2021


Expedição científica passou por três biomas; em Apiacás (MT), equipe acompanhou luta de bombeiros contra queimada de árvores derrubadas.

A reportagem é publicada pela Assessoria do IPAM e reproduzida por Amazônia.org, 15-08-2021.

Um grupo de pesquisadoras do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e do Woodwell Climate Research Center, dos Estados Unidos, encerrou nesta sexta-feira (13) uma expedição de campo sobre fogo no município de Apiacás (MT), onde encontraram bombeiros lutando para controlar a queimada de uma área desmatada.

O trabalho foi dificultado pela ignição em locais diferentes do terreno. Esse tipo de fogo acaba com as árvores derrubadas e prepara a área para uso agropecuário. É frequente na Amazônia especialmente nesta época do ano, quando há menos chuvas na região.

“A área desmatada vai se tornar um pasto, com características climáticas muito diferentes do que seria com a floresta em pé”, explica a pesquisadora do IPAM e do Woodwell Climate, Ludmila Rattis. “Um dos efeitos do desmatamento é o aumento da temperatura no microclima local, subindo em até cinco graus Celsius e afetando a produtividade da terra. No final das contas, desmatar não compensa nem no aspecto climático, nem no econômico.”

Com o tempo quente e seco, o risco de uma queimada desse tipo escapar para uma floresta vizinha e virar um incêndio é grande. “O fogo relacionado ao desmatamento aumenta o desafio do controle, uma vez que é desejado e oferece riscos até mesmo para quem está atuando para combatê-lo”, diz a pesquisadora Manoela Machado, do Woodwell Climate.

 

Ciência e prática

Apiacás foi a última parada da expedição iniciada uma semana antes. O grupo percorreu os três biomas de Mato GrossoCerrado, Pantanal e Amazônia – acompanhando o trabalho do Corpo de Bombeiros Militares do estado, para melhorar o uso de dados científicos na prevenção e no combate a queimadas e incêndios florestais.

“Esse é um projeto que nasceu da conversa entre pesquisadores e bombeiros. Desde o início, a ideia é de colaboração mútua entre a ciência aplicada e o trabalho de detecção, prevenção e combate a incêndios ambientais”, afirma Machado, que coordena a iniciativa.

Durante a expedição, foi possível identificar sinergias entre as estratégias usadas pelos bombeiros ambientais e as predições feitas pelos pesquisadores do fogo. “Passar o diálogo da sala fechada para o campo enriquece o trabalho.”

A equipe também teve a oportunidade de testemunhar os impactos do fogo. No Cerrado, as pesquisadoras viram a destruição de uma área de plantio de agricultores familiares, depois que uma queimada escapou e atingiu outras áreas da propriedade, além de vegetação nativa. No Pantanal, um fogo acidental espalhou-se rapidamente nos pastos secos, formando o primeiro grande incêndio deste ano na região. Na Amazônia, tendo como combustível o desmatamento, uma área antes florestada transformou-se rapidamente em cinzas.

Um diário da viagem foi compartilhado no Instagram do IPAM, que pode se acessado clicando aqui.

 

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