Por uma Igreja mais sinodal: “Tornar a organização menos hierárquica”

Foto: Vatican Media

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

24 Mai 2021

 

"A Igreja tem tudo a ganhar ao incluir mais os leigos, especialmente as mulheres", escreve Fanny Steyer, Jornalista da televisão pública RBB de Berlim, em depoimento publicado por La Croix, 21-05-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o texto.

 

Há sete anos sou membro da paróquia de Saint-Christophe, no bairro multicultural de Neukoelln em Berlim. É dirigida por um padre palotino e é conhecida na capital como uma paróquia muito aberta e moderna, comprometida com os refugiados. Na França, eu frequentava a paróquia católica de Saint-Ferdinand-des-Ternes no 17º arrondissement de Paris, uma enorme “máquina” muito estruturada.

O escotismo acompanhou minha juventude, estudei em institutos católicos. Ao chegar a Berlim, demorei a encontrar uma paróquia que correspondesse à minha visão de fé atual e que fosse adequada também para o meu marido, alemão e de confissão protestante. Fui membro do conselho paroquial durante dois anos. O papel dos leigos é importante nesse conselho e tenho a impressão de que a organização aqui é menos hierárquica do que na França. O conselho é muito misto, com igual número de mulheres e homens, mas todos com mais de 50 anos. O padre é bastante aberto e pede nossa opinião sobre a organização de eventos como a festa de São Martinho, as ações durante a Quaresma.

Aqui os padres são realmente poucos. Embora estejamos na capital, nós, católicos, somos uma minoria. E este é o caso em toda a parte oriental do país, devido à história recente da Alemanha. Que diferença em relação ao 17º arrondissement de Paris, onde todos são católicos e todos pensam mais ou menos da mesma maneira! Nosso ego é recolocado em discussão. Tenho refletido muito mais sobre minha fé desde que cheguei a Berlim. Isso é enriquecedor. Isso nos leva a nos abrirmos mais, a dialogar com os protestantes, a encontrar soluções práticas.

Por exemplo, o padre de Saint-Christophe tem que cuidar de três paróquias e delegar algumas tarefas aos leigos, em particular a uma mulher, Lissy Eichert, que também pertence à comunidade palotina e faz as homilias. Ela faz isso regularmente aos domingos também na televisão pública ARD. Acho isso positivo. Em Paris, nunca vi uma mulher proferir homilias. Mesmo em Berlim, o fato é bastante excepcional. Gostaria que essa prática se tornasse a regra, que os leigos gerissem mais as cerimônias. Devemos nos adaptar, ser pragmáticos diante da escassez de padres. A Igreja tem tudo a ganhar ao incluir mais os leigos, especialmente as mulheres. Na Alemanha, está se realizando há um ano e meio um caminho sinodal, um diálogo entre bispos e leigos. Já falamos sobre isso várias vezes na paróquia, mas as pessoas são bastante críticas. Acreditam que esse processo de diálogo não está avançando ou rápido o suficiente. Sei que as mudanças na Igreja levam tempo para acontecer, mas às vezes isso me desanima.

 

Leia mais