Mulheres católicas sobem ao púlpito na Alemanha

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19 Mai 2021

 

Pelo segundo ano consecutivo na Alemanha, um “Dia da Pregadora” nacional pressiona para que as mulheres católicas tenham a permissão para fazer as homilias durante a missa.

A reportagem é de Delphine Nerbollier, publicada em La Croix International, 18-05-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O esforço pretende ser altamente simbólico. Ulrike Göken-Huismann, uma teóloga de 59 anos e presidente da Associação de Mulheres Católicas da Alemanha (KFD), pregou na missa na última segunda-feira na Igreja de São Maximiliano, em Düsseldorf, no oeste da Alemanha.

Imagem: Ulrike Göken-Huismann | Foto: Reprodução / Facebook

Na realidade, ela faz as homilias regularmente nas Celebrações da Palavra desde 1988, uma prática normal em todo o país.

Mas desta vez foi diferente. Pelo segundo ano consecutivo, ela foi uma das 12 mulheres em 12 localidades diferentes que participaram dessa ação nacional no dia 17 de maio chamada “Dia da Pregadora”.

“Nosso objetivo é deixar claro que as mulheres podem pregar e fazer isso bem”, disse Göken-Huismann, mãe de dois filhos.

“A Igreja está perdendo muito por não permitir que nós façamos isso. Na verdade, é uma oportunidade perdida! Há uma riqueza de talentos entre as mulheres que precisa ser aproveitada”, insistiu ela.

 

“Os apóstolos não eram todos homens”

 

A Associação de Mulheres Católicas da Alemanha é uma das duas federações de mulheres do país. Elas escolheram o dia 17 de maio para a sua iniciativa por causa de Júnia, uma santa celebrada nesse dia pela Igreja Ortodoxa. São Paulo menciona Júnia na Carta aos Romanos.

Júnia foi definitivamente uma apóstola que, por muito tempo, foi confundida com um homem”, ressalta Göken-Huismann.

“Felizmente, graças às novas traduções, ficou claro que ela era uma mulher. Com o nosso evento – ‘12 Mulheres, 12 Locais, 12 Homilias’ – queremos mostrar que nem todos os apóstolos eram homens”, acrescenta a teóloga.

Por meio dessa ação conjunta, à qual outras mulheres de toda a Alemanha aderiram espontaneamente, as organizadoras esperam avançar no Caminho Sinodal iniciado há um ano e meio.

“Esperamos que o Caminho Sinodal permita às mulheres pregar oficialmente nas celebrações eucarísticas (missas)”, argumenta Göken-Huismann.

Ela tem certeza de que “Roma não pode se opor a isso”.

Göken-Huismann está convencida de que as mulheres poderão se tornar sacerdotes um dia, mas ela sabe que “o caminho será longo”.

“Estamos dando um passo de cada vez”, diz ela.

 

“Fazer o que temos o direito de fazer”

 

Surpreendentemente, os bispos alemães mais uma vez não levantaram uma oposição oficial à iniciativa do dia 17 de maio.

No entanto, como disse Clara Steinbrecher, do movimento conservador Maria 1.0, “a Igreja Católica não é uma estrutura na qual todos podem desejar aquilo que quiserem”.

Essa ação ocorre uma semana depois de outra iniciativa crítica a Roma: a bênção de casais homossexuais no dia 11 de maio por uma centena de padres.

“Em todas essas questões, trata-se de saber o que temos o direito de fazer e o que não temos o direito de fazer”, diz Göken-Huismann.

“Como podemos explicar que as mulheres não têm direitos iguais na Igreja Católica quando elas têm na sociedade?”, perguntou.

“Essas várias ações refletem uma crescente insatisfação por parte dos fiéis”, diz Michael Seewald, que leciona teologia na Universidade de Münster.

“Esses movimentos de protesto são apoiados pela maioria dos católicos do país. Os opositores têm muito bons contatos com Roma e estão fazendo ouvir suas vozes, mas são um grupo pequeno”, observa.

 

Mudanças exigidas

 

Mas essas 12 pregadoras

terão sucesso na promoção das mudanças? Seewald é mais ponderado.

“Seria possível encontrar soluções em nível regional e deixar espaço de manobra para essas questões”, acredita ele.

“Mas não sei se Roma está pronta para isso. Roma está olhando para o Caminho Sinodal alemão com muito ceticismo e enviou mensagens negativas sobre os quatro temas de discussão. É difícil ser muito otimista”, admite Seewald.

Mas pregadoras como Ulrike Göken-Huismann permanecem esperançosas e otimistas. Seu novo slogan é: “Fique na Igreja! Exija mudanças!”.

 

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