Cardeal Hollerich “está aberto” ao sacerdócio das mulheres

Jean-Claude Hollerich, cardeal de Luxemburgo. Foto: Sven Becker | KNA

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19 Setembro 2020

O arcebispo de Luxemburgo e presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia, Jean-Claude Hollerich, sugere seu apoio a uma possível aprovação do sacerdócio feminino. “Estou aberto a isso”, disse em uma entrevista ao portal Katolisch.de.

A reportagem é de Lucía López Alonso, publicada por Religión Digital, 18-09-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Perguntado pelo processo sinodal da Igreja Católica alemã, o cardeal Hollerich opina que a questão da igualdade de gênero na Igreja é crucial. “Respeito o fato de que a gente se atreva a fazer perguntas muito grandes”, acrescenta, lamentando que outros países europeus não se encontrem em um “caminho” de reforma tão avançado como o da Alemanha. “Quando vejo os bispos alemães refletirem sobre a benção aos casais homossexuais e escuto o que os bispos da Polônia dizem sobre este tema, imagino que o consenso seja difícil”.

A respeito do Brexit, o presidente da COMECE declara “não compreender quando a gente já não quer cumprir os tratados, porque se estão questionando os fundamentos da cooperação”. Confessando que vê no primeiro-ministro Boris Johnson “traços populistas”, diz esperar “que não se quebre a porcelana”.

Sobre a sua reunião com o Papa ante os fatos ocorridos em Moris, o acampamento de Lesbos devastado recentemente por incêndios, Hollerich reitera sua defesa de que a Europa acolha os migrantes e refugiados prejudicados imediatamente. “Há bispos que veem os refugiados como ameaça, mas do ponto de vista do Evangelho, essa não pode ser a reação”, denuncia o cardeal.

“Fratelli e sorelle tutti”

Analisando a situação dos templos na Europa depois dos meses de reclusão pelo coronavírus, o presidente do COMECE admite que “o número de primeiras comunhões e catequeses diminuiu consideravelmente”. Durante o confinamento “havia boas soluções pelo modo on-line, porém as famílias estavam sobrecarregadas porque os pais precisavam se ocupar com os estudos dos filhos”, acrescenta.

“Agora devemos formar comunidades não somente quando vamos à Igreja”, diz sobre o futuro eclesial.

E dar espaço para as mulheres: “Prefiro dizer: ‘Fratelli e sorelle tutti’”, aponta Hollerich, agora que se comenta se o título da próxima encíclica que o Papa publicará, Todos Irmãos, é ou não machista.

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