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27 Agosto 2020

"O cristianismo de muitos dos patronos mais vocais de Trump está se revelando não apenas puro blá-blá-blá, mas também incapaz de um mínimo decência. E sobre isso se abre o grande hiato entre os comerciantes religiosos do novo salvador e a honestidade crente de muitos de seus eleitores - sua eventual reeleição também será um drama para a consciência dos cristãos estadunidenses que, apesar de tudo, só poderão votar nele", escreve M.N., em artigo publicado por Settimana News, 26-08-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Depois de Steve Bannon, outro grande eleitor de Donald Trump caiu em desgraça, desta vez nas fileiras evangélicas. Trata-se de Jerry Falwell Jr., agora (talvez) ex-presidente da Liberty University, fundada por seu pai, criador da moral majority estadunidense que viu em Ronald Reagan seu representante presidencial. Depois de se afastar por tempo indeterminado de todos os cargos ocupados dentro da universidade, Falwell Jr. tristemente renunciou (talvez não, visto que um comunicado contradiz o anterior, para ser revogado pelo seguinte ...) - após semanas de pressão do Conselho de administração e de destacadas vozes do mundo evangélico USA.

No sonho de continuar na trilha traçada por seu pai, Falwell Jr. viu em Trump o presidente sobre o qual se alavancar para fazer da maioria moral do país uma hegemonia política. Defensor de princípios e comportamentos éticos rigorosos, traduzidos em códigos a que todos os alunos da Liberty University devem se ater, Falwell Jr. foi simplesmente a vítima de si próprio e de sua perversa inconsistência. Uma foto postada nas redes sociais que o vê abraçado a uma jovem (certamente não sua esposa) em um iate - em uma pose que não condiz com os valores que ele proclamava religiosamente e investidos politicamente.

Os membros do Conselho de administração da Liberty University devem ter tido um chilique quando viram circular o post que retratava seu presidente em poses não exatamente ortodoxas (e de bom gosto), e se moveram para salvar o salvável, pelo menos na instituição acadêmica. Veremos se no final do teatrinho vai-não-vai encenado por Falwell Jr. sobre sua renúncia, surtirão efeito ou não.

Em todo caso, o rolo está armado e, para se sair bem, seria preciso um Houdini. Na verdade, resta a cena de uma alardeada testemunha religiosa que adota os meios da impunidade política para sair dos problemas.

O cristianismo de muitos dos patronos mais vocais de Trump está se revelando não apenas puro blá-blá-blá, mas também incapaz de um mínimo decência. E sobre isso se abre o grande hiato entre os comerciantes religiosos do novo salvador e a honestidade crente de muitos de seus eleitores - sua eventual reeleição também será um drama para a consciência dos cristãos estadunidenses que, apesar de tudo, só poderão votar nele.

Disso as hierarquias da Igreja Católica estadunidense deveriam pelo menos estar cientes - e consequentemente agir com um mínimo de bom gosto e tato; pensar em um mínimo de coerência evangélica parece agora ser um argumento irrelevante.

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