Batismo do Senhor – Ano A - Jesus, um Messias que serve

Mosaico do Batismo de Jesus Cristo | Reprodução: Vatican News

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Por: MpvM | 10 Janeiro 2020

Com o batismo Jesus é ungido para o ministério messiânico. Ele não precisava receber o batismo para o arrependimento dos pecados, mas o recebeu para que se cumprisse toda a justiça. Com esse gesto, ele mostrou que não era o Messias que Israel esperava, um messias cheio de triunfo e poder político, mas o Messias que serve, que testemunha em palavras e ações, e realiza em sua própria vida a vontade do Pai.

A reflexão é de Maria Goretti de Oliveira, fsp, religiosa da Congregação das Irmãs Paulinas. Ela é licenciada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP (2003), bacharel em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia - FAJE (2011) e mestra em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP (2018). É membro do Conselho Editorial da Paulinas Editora.

Referências bíblicas

Is 42, 1-4, 6-7
Sl 28 (29), 1-3ac-4.3b.9b-10 (R/.11b)
At 10, 34-38
Mt 3, 13-17

A festa do batismo do Senhor encerra o tempo do Natal. O Pai apresenta o seu Filho amado que é também o Servo profetizado por Isaías. Com o batismo, Jesus dá início ao seu ministério.

A instauração do Reino ocorre entre esses dois acontecimentos basilares: o batismo e a cruz. O batismo é o início do caminho que levará Jesus à cruz (uma prefiguração) e manifesta a sua messianidade; é a descida do Espírito que torna possível o seu ministério realizado com palavras e ações.
O batismo de Jesus também marca o nascimento da comunidade cristã. É por meio dele que a Igreja recebe a unção do mesmo Espírito Santo e se torna participante da missão de Jesus, o anúncio do Reino.

Na primeira leitura, extraída do livro do profeta Isaías (Is 42, 1-4, 6-7), o servo de Deus é chamado a levar à terra a justiça e o direito, ele é o escolhido e nele está o Espírito do Senhor. Sem fazer barulho, e sem arrefecer a esperança que ainda perdura, ele selará uma aliança com o povo e será a luz para as nações. É por meio do Espírito de Deus, que ele cumprirá sua missão. Curará a cegueira espiritual e libertará o povo. Os cristãos, ao fazer uma releitura dessa narrativa, reconheceram em Jesus o perfeito cumprimento da esperança de Israel.

O salmo 28 (29), 1-3ac-4.3b.9b-10 é uma oração de louvor a Deus que age na natureza. A voz do Senhor se faz ouvir em toda parte; e o salmista presta uma homenagem de louvor a Deus, em sua presença. O nome de Deus é glorificado nas forças da natureza e no povo que será assistido por sua providência. O poder de Deus é manifestado através dos fenômenos da natureza, a fim de recordar a sua ação nos acontecimentos da história, para que assim seja glorificada a sua majestade.

A segunda leitura, retirada dos Atos dos Apóstolos, 10, 34-38, narra o discurso de Pedro na casa do centurião romano Cornélio, após a visão que teve enquanto rezava. Nesta visão lhe é revelado que Deus não faz distinção entre puros e impuros, judeus e gentios, pois a distinção não faz parte do seu projeto criador. Pedro teve dificuldades em superar as barreiras mentais e religiosas, mas o Espírito Santo o conduziu à compreensão da vontade divina. Desse modo, o apóstolo compreendeu que a salvação é um dom para todos e, portanto, não é necessário tornar-se judeu para ser salvo.

Deus manifesta-se a Pedro revelando-se a ele e a Cornélio com o envio do Espírito Santo. A vinda do Espírito sobre a casa de Cornélio confirma as palavras de Pedro e legitima o batismo que imediatamente será conferido aos pagãos.

A narrativa de Mateus, 3, 13-17, integra o primeiro livro (3, 1 -7,29) que marca o início da atividade pública de Jesus. No início deste capítulo, João Batista prega um batismo de conversão, de arrependimento, em preparação à vinda do Senhor e ao acolhimento de sua mensagem. Jesus se deixa batizar por João, marcando o começo da sua atividade pública; o batismo assinala o início de uma nova etapa, na qual Jesus, o servo escolhido pelo Pai, faz-se próximo aos pecadores e excluídos. Ao deixar-se conduzir pelo Espírito, ele busca cumprir a vontade de Deus.

O batismo de João é realizado com água, gesto simbólico; o de Jesus, provém do Espírito Santo. João reconhece que Jesus é o Messias, por isso protesta em dar a ele o seu batismo. Mas Jesus deseja realizar toda a justiça, obedecer ao plano divino. Com esse gesto, Jesus dá os primeiros passos de sua vida pública até à cruz. Para o povo, o batismo era sinal de arrependimento, para Jesus é a plenitude da justiça, obediência ao Pai, que o leva a aceitar o seu destino e assumir sua missão.

Com o batismo Jesus é ungido para o ministério messiânico. Ele não precisava receber o batismo para o arrependimento dos pecados, mas o recebeu para que se cumprisse toda a justiça. Com esse gesto, ele mostrou que não era o Messias que Israel esperava, um messias cheio de triunfo e poder político, mas o Messias que serve, que testemunha em palavras e ações, e realiza em sua própria vida a vontade do Pai.

Em Jesus estão presentes as duas figuras anunciadas pelos profetas, a do Filho de linhagem real, e a do Servo sofredor.

Na narrativa, a expressão “os céus se abriram” designa o retorno da profecia e representa a manifestação divina no batismo de Jesus.

“Ele viu o Espírito de Deus descer como pomba e vir sobre ele”, a pomba simboliza a ação do Espírito de Deus que no princípio dos tempos “pairava sobre a superfície das águas” (Gn 1,2; 8, 8-19), evocando a nova criação que se inicia em Jesus e em sua missão.

“Este é o meu Filho amado, nele me comprazo (3,17)”, “meu Filho” é a mesma proclamação que aparece em Isaías 42,1: “Eis o meu servo a quem amparo, meu bem-amado, no qual a minha alma se compraz”. A filiação é atribuída pelo próprio Pai. No batismo Jesus é conduzido pelo Espírito que desce sobre ele, levando-o a assumir a missão que lhe foi confiada.

Podemos observar que a narrativa é construída sobre uma estrutura trinitária: a descida do Espírito; a voz do Pai; e o título de Filho, de modo que as três pessoas da Trindade estavam presentes: o Filho, recebendo o batismo; o Pai, reconhecendo-o como Filho; e o Espírito Santo, ungindo-o para que possa assumir sua missão messiânica.

Proponho algumas questões para a nossa reflexão e oração:

No batismo, fomos imersos na morte de Cristo (Rm 6,3), para que com ele recebêssemos uma vida nova. Como essa realidade está alinhada às nossas decisões e escolhas?
O batismo levou Jesus a acolher o novo e assumir a sua missão até à cruz. De que modo vivenciamos o nosso batismo? deixamo-nos guiar e conduzir pelo Espírito?
O que significa ser cristão nos tempos de hoje?

Estamos preparados para renovar nossos compromissos batismais e ser sinal de esperança em um mundo em que a indiferença e a intolerância crescem a cada dia?

Finalizo com uma frase de São Gregório Nazianzo: “Cristo é iluminado no batismo, recebemos com ele a luz; Cristo é batizado, desçamos com ele às aguas para com ele subirmos”.

 

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