Novo cardeal do Congo tem paixão de longa data pelos direitos humanos

Fridolin Ambongo Besungu em encontro com o Papa Francisco | Foto: Vatican News

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

17 Setembro 2019

O novo cardeal do Congo usará o seu título para destacar os problemas da África, trazendo ao mesmo tempo uma paixão de longa data pelos direitos humanos ao cenário internacional, segundo algumas pessoas próximas a ele.

A reportagem é de Jonathan Luxmoore, publicada por Catholic News Service, 15-09-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O Mons. Donatien Nshole Babula, secretário geral da Conferência dos Bispos do Congo, descreveu o cardeal-designado Fridolin Ambongo Besungu, de Kinshasa, como um “pastor zeloso e direto, um homem franco, apegado à verdade e que sabe o que é preciso fazer para o bem daqueles a ele confiados”.

No dia 1.º de setembro deste ano, o Papa Francisco anunciou que Ambongo, de 59 anos, será um dos treze novos cardeais instalados em um consistório a acontecer no dia 5 de outubro próximo, no Vaticano.

Nshole contou ao Catholic News Service que o cardeal-designado aprendeu muito sobre as condições de todo o continente africano enquanto foi presidente da Comissão de Justiça e Paz da Igreja congolesa entre 2008 e 2016.

O monsenhor disse também que esta nomeação é um tributo à “força de personalidade” de Ambongo e à sua capacidade intelectual de ver as perspectivas mais amplas, para além do aqui e agora”. É também um sinal da preocupação do papa “pelos pobres e desfavorecidos”.

Ambongo já prestou um trabalho muito importante para a paz e os direitos humanos, ao insistir que tudo deve estar baseado na justiça. É isso o que ele vai mais procurar destacar agora no cenário internacional”, diz Nshole.

Nascido de uma família de seringueiros em Boto, em 24-01-1960, Ambongo fez os votos perpétuos aos franciscanos capuchinhos em 1987 e ordenou-se em 1988 depois de estudar teologia moral na Academia Alfonsiana, em Roma. Lecionou na Universidade Católica de Kinshasa e se tornou o superior da província congolesa dos capuchinhos.

Em 2004, Ambongo foi nomeado bispo da Diocese de Bokungu-Ikela e administrador apostólico de Kole, tornando-se arcebispo de Mbandaka-Bikoro em novembro de 2016 e arcebispo de Kinshasa em dezembro de 2018 após nove meses trabalhando de coadjutor do Cardeal Laurent Monsengwo Pasinya.

O Mons. Andre Masinganda, vice-secretário geral da Conferência dos Bispos, contou ao Catholic News Service que a reputação de Ambongo como alguém de fala franca e firme não o impede de mostrar uma “abertura pastoral a todos” e que tem uma “grande capacidade pela síntese em toda e qualquer situação”.

Ambongo com certeza está pronto para receber e considerar as opiniões dos demais, e é capaz de acalmar e unificar”, disse o padre.

“O seu lema, Omnia Omnibus (Todas as coisas para todas as pessoas), implica que suas portas estão abertas a todos, seja no poder, seja na oposição. Eu acho que ele irá estender isso ao mundo da política e da diplomacia”, acrescentou.

O Pe. Clement Makiobo, que estudou com o cardeal-designado, disse ao jornal católico francês La Croix que o seu colega se tornou um “apaixonado pela justiça e por questões do mundo do direito” desde que se opôs ao ditador Mobutu Sese Seko, quem governou o então Zaire de 1965 a 1997. Makiobo falou que o novo cardeal também é uma pessoa focada na defesa da democracia e da legalidade, em lugar de “se opor diretamente ao poder vigor”.

“No entanto, quando os direitos elementares do povo congolês precisam de proteção, e quando é necessário denunciar uma tendência autoritária promovida pelos que estão no poder, o novo cardeal se vai se mostrar intransigente”, previu Makiobo.

“Esta sua nomeação completa uma vida de compromisso com a dignidade humana, em um país onde a Igreja continua sendo a única instituição capaz de desafiar o poder”.

Leia mais