Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

01 Fevereiro 2018

A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado busca valorizar a biodiversidade e as culturas dos povos e comunidades desse bioma, lutando pela sua preservação. A legislação brasileira não garante plena proteção ao Cerrado. Apenas 11% do Cerrado é coberto por reservas ou Unidades de Conservação, comparados com quase 50% da Amazônia.

A reportagem foi publicada por Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, 31-01-2018.

A Campanha surgiu com o objetivo de alertar a sociedade para os impactos que a destruição do Cerrado causam no Brasil. A Campanha é promovida por 43 organizações, movimentos sociais e entidades religiosas, como a CNBB, e iniciou suas atividades em 2016.

A água é o mote da Campanha (Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida), pois o Cerrado tem papel central no abastecimento de água do país. O bioma é conhecido como o “berço das águas” porque mantém três grandes aquíferos (Guarani, Bambuí e Urucuia) e é responsável pela formação e alimentação de grandes rios do continente, como São Francisco, Tocantins e Araguaia.

Segundo pesquisa da americana Stephanie Spera, da Brown University, publicada na revista científica Global Change Biology em 2016, o desmatamento no Cerrado impacta o ciclo de chuvas no país. Em 2013, as áreas agrícolas no Cerrado desmatado reciclaram para a atmosfera 14 mil metros cúbicos a menos do que a vegetação nativa. Em apenas um ano, o Cerrado perdeu uma área equivalente a três cidades do Rio de Janeiro.

Políticas, planos e projetos iniciados na década de 1970, contando com grande volume de investimentos nacional e internacional, mantém a política desenvolvimentista promotora de violências, de degradação ambiental, trabalho escravo e desigualdades sociais e econômicas no Cerrado brasileiro. A pressão sobre as terras tradicionalmente ocupadas tem sido crescente, gerando um intenso processo de grilagem e de especulação fundiária, aumentando os conflitos por terra. Entre 2005 a 2014, do total de mais de onze mil localidades onde ocorreram casos de violência no campo brasileiro, 39% aconteceram no Cerrado, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT).

São objetivos da Campanha:

· Pautar e conscientizar a sociedade sobre a importância do Cerrado e os impactos dos grandes projetos do agronegócio, da mineração e de infraestrutura;

· Dar visibilidade à realidade dos Povos do Cerrado, como representantes da sociobiodiversidade, conhecedores e guardiões do patrimônio ecológico e cultural dessa região;

· Fortalecer a Identidade dos Povos do Cerrado, envolvendo a população na defesa do bioma e na luta pelos seus direitos;

· Manter intercâmbio entre as comunidades do Cerrado brasileiro com as comunidades de Moçambique, na África, impactadas pelos projetos do Programa Pró-Savana.

Organizações promotoras da Campanha

Associação União das Aldeias Apinajés/PEMPXÀ – ActionAid Brasil – CNBB/Pastorais Sociais – Agência 10envolvimento – APA/TO – ANQ – AATR/BA – ABRA – APIB – CPT – CONTAG – CIMI – CUT/GO – CPP – Cáritas Brasileira – CEBI – CESE – CEDAC – Coletivo de Fundos e Fechos de Pasto do Oeste da Bahia – Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra do DF – CONAQ – FASE – FBSSAN – FETAET – FETAEMA – CONTRAF-BRASIL/FETRAF – Gwatá/UEG – IBRACE – ISPN – MPF – MJD – MIQCB – MPP – MMC – MPA – MST – MAB – MOPIC – SPM – Rede Cerrado – Redessan – Rede Social de Direitos Humanos – Rede de Agroecologia do Maranhão – TIJUPA – Via Campesina – FIAN Brasil.

Leia mais