Papa exige rigor na gestão dos bens da Igreja, contra corrupção ou investimentos sem ética

Foto: Jeffrey Bruno/ Wikimedia Commons

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10 Fevereiro 2017

O Papa Francisco rejeita, em entrevista divulgada hoje na Itália, a corrupção na gestão financeira do Vaticano ou investimentos pouco éticos com dinheiro da Igreja, como na indústria de armamentos.

“É importante verificar como é que os bancos investem o dinheiro. Nunca deve acontecer que haja investimento em armas, por exemplo. Nunca”, pediu, durante uma conversa com mais de 140 responsáveis mundiais de Institutos Religiosos católicos.

A informação é publicada por Agência Ecclesia, 09-02-2017.

O encontro decorreu em novembro de 2016, à porta fechada, e o conteúdo da intervenção do Papa, que respondeu a várias perguntas dos presentes, é divulgado hoje pela revista italiana dos jesuítas, ‘La Civiltà Cattolica’.

“Os problemas chegam quando se mexe nos bolsos! Penso na questão da alienação dos bens: com os bens temos de ser muito delicados”, assinalou Francisco.

“O Senhor quer muito que os religiosos sejam pobres”, acrescentou.

O primeiro Papa jesuíta da história considera que a pobreza é “medular” na vida da Igreja Católica, tendo sempre “consequências fortes” segundo a forma como é observada ou não.

Francisco recorda que nas reuniões de cardeais antes da sua eleição, em 2013, se falava da necessidade de “reformas” e que todos as queriam.

“Há corrupção no Vaticano, mas eu estou em paz”, referiu o Papa, que tem levado a cabo um conjunto de reformas nas áreas financeiras e administrativas da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano, internacionalizando a sua gestão e supervisão.

O encontro com a 88ª assembleia geral dos superiores gerais das ordens e congregações religiosas masculinas evocou a surpresa sentida pelo atual Papa, aquando da sua eleição como sucessor de Bento XVI, e a forma como tem vivido desde então, numa “paz profunda”.

“Não tenho problemas em admitir que estou a viver uma experiência completamente nova para mim. Em Buenos Aires era mais ansiosos, confesso, sentia-me mais tenso e preocupado”, declarou.

Francisco pediu aos responsáveis mundiais dos Institutos Religiosos que “nunca” lavem as mãos perante os problemas e que vivam a mensagem do Evangelho “sem calmantes”.

O Papa falou também da importância de práticas penitenciais, como o jejum ou o cilício.

“Se algo te ajuda, faz isso, também o cilício. Mas só se te ajuda a ser mais livre, não se serve para mostrar-te a ti próprio que és forte”, advertiu.

A intervenção deixou votos de que os religiosos testemunhem ao mundo uma “fraternidade mais humilde” e que, no seio da Igreja Católica, se sintam “plenamente” dentro da vida da diocese em que se encontram.

Francisco despediu-se dos superiores gerais com uma mensagem de coragem, antes de os cumprimentar um a um.

“Só quem não faz nada é que nunca erra. Temos de ir em frente! Iremos errar às vezes, sim, mas a misericórdia de Deus está sempre ao nosso lado”, concluiu.

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