12 Junho 2026
"Então, como podemos resistir à ditadura da atualidade que tudo devora? Não tenho respostas. Mas sei que resignar-se seria uma derrota. Continuar a lembrar, a refletir, a exigir justiça e mudança pode parecer a luta de quem se joga contra os moinhos de vento. No entanto, é um dever. Devemos isso às vítimas de hoje, para contribuir para que não existam outras amanhã", escreve Tonio Dell'Olio, padre italiano, jornalista e presidente da associação Pro Civitate Christiana, publicado por Mosaico di Pace. 10-06-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Na era do descartável, acontece que um fato abale a opinião pública por poucas horas, alguns dias no máximo, para depois ser engolido pela onda seguinte. Tudo flui, tudo é devorado por uma névoa indeterminada. Assim, acontece que já hoje os acontecimentos em Amendolara se tornam um traço desbotado de tinta falsa em uma página virtual. O Hantavírus — "Antha o quê?" — agora suscita reações distraídas. Até Gaza, com sua carga interminável de mortes, feridos e desespero, também recebe o escárnio da poeira que lentamente se acumula sobre a ferocidade e a dor. Não é justo. E não é normal. Por trás de cada manchete, há famílias que continuam a chorar muito depois das câmeras terem sido desligadas. Feridas que ainda não conhecem a força da cicatriz e continuam a sangrar.
Dignidades violadas, esperanças destruídas, vidas transformadas para sempre. A informação não é consumo. Ela tem o dever de preservar a memória, de questionar as consciências, de ajudar a compreender as causas profundas dos acontecimentos. Então, como podemos resistir à ditadura da atualidade que tudo devora? Não tenho respostas. Mas sei que resignar-se seria uma derrota. Continuar a lembrar, a refletir, a exigir justiça e mudança pode parecer a luta de quem se joga contra os moinhos de vento. No entanto, é um dever. Devemos isso às vítimas de hoje, para contribuir para que não existam outras amanhã.
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