32º domingo do tempo comum - Ano C - A novidade do amor incondicional de Deus

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: MpvM | 08 Novembro 2019

"Hoje a teologia usa a linguagem do amor e da festa para se referir ao céu. Sabemos que o amor é a experiência mais plena e profunda do ser humano. Amar e ser amado é a maior aspiração desejada. Assim, o céu só pode ser experiência plena de amor, de comunhão. O céu é uma festa, sem distinção de gênero, religião, raças e culturas, onde criatividade e beleza nos leva a sentir a liberdade total. Essa esperança em um Deus de amor infinito, salvador em Cristo ressuscitado, leva-nos a acreditar que o seu desejo é que possamos desfrutar do reino de Deus, de uma vida justa e igualitária já aqui neste mundo."

A reflexão é de Maria Cristina Silva Furtado, teóloga leiga. Doutora e mestra em teologia sistemática pela PUC-RIO, especialista em Educação e Licenciada em Psicologia pela PUCRS e Psicóloga pelo CNP-MG, ela é também escritora, compositora e cantora, teatróloga, diretora teatral e palestrante. É pesquisadora no CEPECCIG/UFRJ/Macaé e no Grupo de Extensão e Pesquisa em Corporeidade - Cidadania e Gênero da Faculdade de Enfermagem, da UFRJ/Macaé/CNPQ e pesquisadora no Grupo de diversidade sexual - cidadania e religião, PUC-Rio/CNPQ.

Referências bíblicas
1ª Leitura - Mac 7,1-2.9-14
Salmo - Sl 16,1.5-6.8b.15 (R. 15)
2ª Leitura - 2Ts 2,16 - 3,5
Evangelho - Lc 20,27-38

A liturgia deste domingo nos leva a refletir sobre a importância da esperança na ressurreição. Já na primeira leitura (Mac 7,1-2.9-14), temos uma família israelita perseguida, na época de Antíoco, que pela fé na ressurreição consegue encontrar a coragem para enfrentar a tortura e a morte.

Na segunda leitura (2Ts 2,16 - 3,5) encontramos a necessidade de orarmos uns pelos outros para que a Palavra de Deus possa alcançar os seus objetivos, dirija os nossos corações no amor de Deus e na esperança em Cristo.

Por fim, o Evangelho (Lc 20,27-38) traz um grupo de Saduceus, que tenta confundir Jesus trazendo a história fictícia de uma viúva que, por não ter filho homem, segundo a lei, deveria se casar com o irmão do marido para garantir-lhe a posteridade. Mas este irmão também morre antes de lhe dar filhos, e o outro cunhado que se casa com ela também morre, deixando-a sem filho varão; e assim ela se casa, sucessivamente, até o último irmão. Por fim, vem a pergunta. Quando esta mulher morrer, de qual irmão será a mulher, pois os sete irmãos a tiveram como mulher?

A história contada e a pergunta são baseadas na lei do Levirato, feita principalmente para preservar a continuidade do nome e as propriedades do falecido entre as ricas famílias saduceias de Jerusalém. A lei determina que o cunhado se case com a mulher do irmão que não tiver filho varão. Para a mulher, mesmo não sendo este o principal objetivo da lei, de certa forma a protegia. A mulher naquela época, em Israel, era considerada propriedade do marido, e quando ficava viúva, se não tivesse quem a defendesse, acabava perdendo o que possuía, pois seus direitos não eram respeitados e a lei civil e religiosa não a ajudava.

Os saduceus não acreditavam na ressurreição. Para eles, a vida e o templo eram o mais importante, já que lhes davam riqueza e poder, e era isto que importava. Assim, com essa pergunta pretendiam ridicularizar Jesus.

A resposta de Jesus foi precisa. A vida após a morte não significa estar sujeito a leis físicas ou biológicas, pois não é um prolongamento desta vida. É algo novo. A ressurreição não reproduziria as estruturas patriarcais existentes nesta vida, beneficiando os homens em detrimento das mulheres. A vida eterna não perpetuaria as desigualdades, os abusos e as injustiças dessa vida. A vida junto a Deus é totalmente nova, pois é sustentada pelo amor de Deus. Então podemos prever que ela esteja livre das diferenças entre homens e mulheres, pobres e ricos, da discriminação ao diferente, pois o amor de Deus é incondicional.

Paulo, ao se referir à vida eterna, em Corinto, disse que se tratava de algo que “o olho nunca viu, nem o ouvido ouviu, nem homem algum imaginou, algo que Deus preparou para os que o amam.”

No mundo vindouro não haverá morte, pois todos que lá estiverem serão iguais aos anjos e filhos de Deus, oriundos da ressurreição. Para Jesus, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó é o Deus dos vivos, pois mesmo após a morte deles, continua sendo Deus, protetor, amigo e fiel ao seu povo. Para Deus não há mortos e vivos, todos estão vivos porque o seu amor é mais forte do que a morte. Ele é fonte inesgotável de Vida e se compadece de todos que não sabem ou não conseguem viver de maneira digna. Deus ama, perdoa e se compadece por todos os seus filhos.

Hoje a teologia usa a linguagem do amor e da festa para se referir ao céu. Sabemos que o amor é a experiência mais plena e profunda do ser humano. Amar e ser amado é a maior aspiração desejada. Assim, o céu só pode ser experiência plena de amor, de comunhão. O céu é uma festa, sem distinção de gênero, religião, raças e culturas, onde criatividade e beleza nos leva a sentir a liberdade total. Essa esperança em um Deus de amor infinito, salvador em Cristo ressuscitado, leva-nos a acreditar que o seu desejo é que possamos desfrutar do reino de Deus, de uma vida justa e igualitária já aqui neste mundo. Uma vida que, embora ainda não em plenitude, seja possível viver com dignidade, e seguindo os passos de Jesus, espalhar o amor de Deus aos nossos irmãos e irmãs necessitadas, trabalhando para que seja possível viver com mais igualdade, solidariedade, respeito ao diferente, de acordo com a ética de Cristo, onde a justiça, o amor e a misericórdia são prioridades. Precisamos, mais do que nunca, lembrar que “Deus não é um Deus dos mortos, mas de vivos”. E ele quer que todos e todas, sem exceção, tenham uma vida plena e feliz, agora e por toda a eternidade. 

Leia mais