A mulher que ''converteu'' Jesus

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10 Março 2012

A visão inclusiva das mulheres pode ajudar a manifestar uma fé que vai além das fronteiras doutrinais e confessionais.

A opinião é do cientista político e leigo católico italiano Christian Albini, em nota publicada no blog Sperare per Tutti, 08-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

"Mulher, grande é a tua fé!". Ela não frequenta a sinagoga, invoca outros deuses, Baal e Astarte, mas, para Jesus, é uma mulher de grande fé. Não tanto ou não apenas pelo seu amor indômito de mãe, que não se rende aos silêncios de Jesus, pela sua atitude antes gélida ("não me dirigiu nem ao menos uma palavra") e depois rude. Qualquer mãe faria isso!

A grande fé da mulher não está em fórmulas ou em declarações, mas sim em uma convicção profunda, que a persegue: Deus está mais atento à vida e à dor dos seus filhos do que à fé que professam. Ela não tem a fé dos teólogos, mas sim a das mães que sofrem pela carne da sua carne: estas conhecem Deus de dentro, sentem-no pulsar no profundo das suas chagas, em uníssono com o seu coração de mãe. Elas acreditam que o direito supremo diante de Deus é dado pelo sofrimento e pela necessidade, não pela raça ou pela religião. E que esse direito pertence a todos os filhos de Deus, que são todos iguais, judeus e fenícios, crentes e pagãos, sob o céu de Tiro ou sob o de Nazaré.

E Jesus muda, modificam-se a amplitude da sua missão e o rosto do Pai. Uma mulher pagã "converte" Jesus; leva-o a acolher como filhos os cachorrinhos de Tiro e Sidon, abre-o a uma dimensão universal: não, tu não vistes só para os de Israel, tu és pastor da dor do mundo.

Jesus caminha e cresce na fé, aprendendo algo sobre Deus e sobre o homem a partir do amor e da inteligência de uma mãe estrangeira. Desse encontro de fronteira, de um diálogo entre estrangeiros antes brusco e depois consolador, surge um sonho: a Terra vista como uma única grande casa, uma mesa rica em pão, uma coroa de filhos. Uma casa onde ninguém mais, nem mesmo os cachorrinhos, tem fome. Onde não há "nós" e os "outros", homens e não, mas somente filhos e fome para saciar. Onde cada um, assim como Jesus, aprende com cada um. Sonho que habita Deus e todo coração bom.

* * *

Foi assim que Ermes Ronchi, no jornal Avvenire, dos bispos italianos, comentou o texto de Mateus 15, 21-28.

Deus, para a religião judaico-cristã, não existe como um Deus sobre o qual se pode falar, mas sim como um Deus com quem se pode falar. Nesse diálogo, nesse encontro, surge uma fé que vai além das fronteiras doutrinais e confessionais. Uma fé que a visão inclusiva das mulheres pode ajudar a se manifestar.


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