OMS busca plano global contra resistência crescente a antibióticos

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20 Mai 2015

Os antibióticos foram uma das maiores invenções da medicina e salvaram milhares de vidas. Mas há um temor crescente quanto ao uso excessivo destes medicamentos, que está fazendo com que eles se tornem menos efetivos à medida que bactérias se tornam mais resistentes.

A reportagem é publicada por BBC Brasil, 19-05-2015.

A preocupação é que infecções que eram facilmente tratáveis com antibióticos voltem a ser uma grande ameaça à saúde.

Nesta segunda-feira, a OMS (Organização Mundial da Saúde) inicia um encontro que tem entre seus objetivos criar um plano global para a contenção da resistência antimicrobiana.

No mês passado, o órgão lançou um relatório alertando que 75% dos países não tinham um plano para evitar que vírus e bactérias resistam a medicamentos.

Entre os 133 países consultados –entre eles o Brasil–, apenas 34 tinham projetos para conter a resistência. A OMS não detalhou quais.

Entre 2000 e 2010, segundo estudo da Universidade de Princeton publicado na revista científica The Lancet, o consumo de antibióticos aumentou 36%. Os países dos Brics –Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul– foram responsáveis por 76% desse aumento.

Já a venda de antibióticos sem prescrição cresceu 50%.

A OMS tem alertado que o mundo está se dirigindo a uma era pós-antibiótico, em que a maior parte da medicina moderna perde sua utilização.

É da natureza de micróbios desenvolver resistência a drogas usadas contra elas.

Se os remédios pararem de funcionar, infecções comuns como tuberculose podem voltar a matar. Cirurgias e tratamentos de câncer também dependem de antibióticos.

Embora os antibióticos sejam muito discutidos, também há alertas sobre a resistência do HIV a medicamentos antivirais e sobre o parasita que provoca a malária, que está ficando mais resistente a tratamentos.

Fundo

Na semana passada, um relatório liderado pelo economista Jim O'Neill –famoso pela invenção da sigla Brics e que hoje é consultor do governo britânico– pediu que a indústria farmacêutica investisse US$ 2 bilhões em um fundo de inovação para o desenvolvimento de novos antibióticos.

O'Neill afirmou que a resistência a antibióticos pode matar 300 milhões de pessoas prematuramente nos próximos 35 anos.

"Podemos acabar morrendo de algo tão simples quanto um corte feito ao se barbear", disse.

Veja aqui um vídeo da BBC sobre a resistência bacteriana.