23 Julho 2026
O líder democrata admite que não tem poder para ordenar a prisão do próprio primeiro-ministro israelense, que é procurado pelo Tribunal Penal Internacional.
A informação é de Luís Doncel, publicado por El País, 22-07-2026.
Zohran Mamdani venceu a eleição para prefeito de Nova York no ano passado com uma plataforma linha-dura contra o governo israelense e suas ações em Gaza e na Cisjordânia. Agora, ele foi além, exigindo que o governo republicano de Donald Trump prenda o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu caso ele pise em solo americano, um pedido que o presidente dos EUA já rejeitou categoricamente. "Netanyahu não é bem-vindo", disse o político democrata em um vídeo publicado em suas redes sociais na noite de terça-feira.
Não há possibilidade de que a exigência de Mamdani para a execução do mandado de prisão de 2024 emitido contra Netanyahu pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) seja atendida. Essas declarações, contudo, demonstram como tudo relacionado a Israel e Palestina tem dominado grande parte do debate na política americana, tanto em nível federal quanto local.
Zohran Mamdani: “When it comes to Palestinian New Yorkers who are disappointed, I understand it. We are talking about someone who has been charged with crimes against humanity. Someone who has visited this city on many an occasion and who has been welcomed by previous mayors. I… pic.twitter.com/sdqXCorWGF
— Marco Foster (@MarcoFoster_) July 22, 2026
Netanyahu, a quem o prefeito chama de “criminoso de guerra” e “arquiteto de um genocídio atroz” no vídeo pela destruição sistemática de Gaza e da Cisjordânia, deverá visitar Nova York em setembro para participar da Assembleia Geral da ONU. O Tribunal Penal Internacional (TPI), do qual os Estados Unidos não são membros e cuja jurisdição para investigar crimes não reconhecem, está investigando o líder israelense por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Tudo começou no domingo, em uma entrevista ao New York Times. Mamdani afirmou que Netanyahu deveria comparecer em Haia, sede do Tribunal Penal Internacional. "Ele é um criminoso de guerra", enfatizou o líder democrata, o primeiro prefeito muçulmano da cidade que abriga a maior comunidade judaica do mundo fora de Israel. Na entrevista, Mamdani observou que não tinha certeza se possuía autoridade legal para ordenar que seu departamento de polícia prendesse um líder estrangeiro e indicou que estava tendo "discussões ativas" sobre o assunto com o departamento jurídico da cidade.
Poucos dias depois, o próprio Trump interveio, enfatizando que Netanyahu não seria preso “sob nenhuma circunstância” enquanto estivesse nos Estados Unidos. E agora Mamdani se pronuncia novamente, reconhecendo sua impotência nessa questão. Mas ele marca um ponto político ao pedir, em uma mensagem solene — bem diferente de seus vídeos habituais nas redes sociais —, uma das medidas mais severas que um país pode tomar contra um governo estrangeiro.
Mamdani: "Netanyahu? Criminale di guerra e artefice del genocidio. Vorrei arrestarlo ma non posso" - la Repubblica https://t.co/tPV0iclDQR
— IHU (@_ihu) July 22, 2026
“Benjamin Netanyahu deve ser preso e julgado por seus crimes”, afirma Mamdani no vídeo. “Ele é um criminoso de guerra, o arquiteto de um genocídio horrível contra o povo palestino, responsável pela morte de mais de 73 mil pessoas, pela mutilação de dezenas de milhares de crianças e por ataques a hospitais e centros neonatais, negando aos recém-nascidos sequer a chance de viver. Ele é responsável pelas inúmeras pessoas que deixou morrer de fome, impedindo-as de acessar alimentos e ajuda humanitária. Ele é responsável pelos assassinatos a tiros de centenas de trabalhadores humanitários e jornalistas. As tropas israelenses continuam matando crianças palestinas oito meses após o chamado cessar-fogo.”
O prefeito então presume ser “óbvio” que ele não possui autoridade legal independente para executar o mandado de prisão expedido pelo TPI. No entanto, ele acrescenta: “o governo federal possui”. “Exorto-o a aderir ao TPI e executar este mandado”, conclui.
A oposição ao governo israelense tornou-se uma questão fundamental que une os políticos mais à esquerda do Partido Democrata, incluindo figuras como Mamdani e a congressista Alexandria Ocasio-Cortez. Mas as reservas nos Estados Unidos em relação ao seu aliado tradicional vão além das forças progressistas. As pesquisas mostram que, pela primeira vez na história, mais americanos expressam simpatia pela Palestina do que por Israel, uma visão compartilhada também por muitos republicanos.
“He should leave foreign policy.”
— Quds News Network (@QudsNen) July 23, 2026
A TMZ reporter confronted U.S. Congressman Randy Fine after he described New York City Mayor Zohran Mamdani as a “Muslim terrorist,” telling him that Mamdani should not interfere in U.S. foreign policy and should instead focus on running his… pic.twitter.com/xnyPp8Aj0v
Recentemente, o vice-presidente JD Vance alertou os líderes israelenses de que estavam se tornando cada vez mais isolados. "Eu não mexeria com o único aliado poderoso que me resta no mundo inteiro", disse Vance em junho passado, em resposta às críticas israelenses ao cessar-fogo que os EUA haviam firmado com o Irã. Declarações como essa seriam impensáveis vindas de um vice-presidente republicano no passado.
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