16 Julho 2026
"Cientistas devem ser cientistas; economistas devem ser economistas." A energia nuclear continua a gerar debate na Itália. O Ministro do Meio Ambiente, Gilberto Pichetto Fratin, reacendeu a polêmica ao responder, uma semana depois, a comentários feitos pelo físico e ganhador do Prêmio Nobel Giorgio Parisi. Ele confiou suas palavras à agência especializada Gea. O professor, ouvido sobre o tema em uma comissão do Senado, classificou a iniciativa do governo como inútil e dispendiosa: "Se não fosse uma tragédia, Shakespeare já teria um título pronto para este projeto de lei: muito barulho por nada".
A informação é de Eleonora Camilli, publicada por La Stampa, 15-07-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
A referência é à lei de autorização sobre energia nuclear sustentável, já aprovada pela Câmara dos Deputados e atualmente em discussão no Senado, que deveria receber a aprovação final antes do recesso de verão, portanto, no início de agosto. Depois disso, o governo precisará definir o marco regulatório para a implementação de tecnologias nucleares de nova geração no país, a partir de um plano nacional que prevê testes e a construção de usinas, mas também a gestão dos resíduos radioativos. Para o Ministro do Meio Ambiente, a aprovação final do texto representará apenas "um primeiro passo"; no entanto, ele lamenta a "oposição política" em torno da questão, particularmente por parte daquelas forças que "defendem o chamado 'decrescimento feliz', ou seja, o direito legítimo de qualquer pessoa de escolher ficar mais pobre". Entre os críticos está justamente um dos cientistas mais respeitados do país.
Segundo Parisi, especificamente, a lei de autorização do governo não levaria a um grande resultado. Pelo contrário, seria "irrelevante para o objetivo da eliminação das emissões de CO2 da atmosfera" e "capaz de resolver apenas 20% do problema energético". Trata-se, portanto, de um fracasso certo porque, de acordo com o cenário traçado pelo governo, a energia nuclear teria condições de atender cerca de 10% da demanda de eletricidade que, por sua vez, representa cerca de um quinto do consumo total de energia do país. "Em 2024, o consumo final de energia da Itália totalizou cerca de 100 milhões de toneladas de petróleo, 41% foram destinados às edificações, 35% aos transportes e 21% à indústria", explicou o ganhador do Nobel durante a audiência. “Desse total, a energia elétrica representa apenas 22%. Todo o restante, quase 80%, depende de combustíveis fósseis.
O nuclear gera exclusivamente energia elétrica; portanto, "estamos discutindo uma tecnologia que, na melhor das hipóteses, poderia responder por pouco mais de um quinto do problema energético total”. Por outro lado, no futuro, basearemos a maior parte da nossa produção elétrica na energia solar. “A Itália possui uma enorme capacidade em energia solar e geotérmica. Não faz sentido a Alemanha focar na energia solar e a Itália foca na nuclear”, concluiu Parisi.
Palavras que não agradaram ao Ministro do Meio Ambiente, que retrucou: “Tenho pelo menos uma noção básica de matemática, então sei fazer duas contas”. O ponto, segundo o titular da pasta, não é focar “apenas” na energia nuclear, mas “também” nela. “Precisamos aumentar tanto as fontes renováveis, pois temos a meta da descarbonização”, explicou ele à agência Gea, ressaltando que a capacidade eólica e solar fotovoltaica também pode ser aumentada, desde que as comunidades locais sejam respeitadas, “pois, para cada projeto eólico ou solar proposto, surgem três comitês de oposição”.
O objetivo, portanto, é “manter os pés no chão”. É por isso que “o projeto do governo é integrar a nova energia nuclear, aliás um caminho que está sendo seguido por quase todos os países do mundo, não apenas pelos industrializados”. Segundo o ministro Pichetto Fratin, a energia nuclear, com uma vida útil de 60 anos, é mais vantajosa em termos de custo-benefício do que a solar fotovoltaica, que dura apenas 20 ou 25 anos. “Não devo olhar apenas para o custo atual; preciso considerar o custo real”, acrescenta ele. “É por isso que acredito que ela seja, inclusive, mais conveniente.”
Por fim, ele conclui destacando o desenvolvimento nuclear em outros países europeus: “Será que os franceses realmente estão querendo perder dinheiro vendendo a 70 euros o megawatt-hora? Eles seriam loucos a ponto de ter prejuízo? E os espanhóis? Vale o mesmo”.
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