Venezuelano de 45 anos morre sob custódia do ICE na Geórgia

Jesús Manuel Arenas Silva | Foto: Reprodução redes sociais/Instagram

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16 Julho 2026

Jesús Manuel Arenas Silva sofreu uma parada cardíaca fatal na segunda-feira. Ele é o 54º migrante a morrer em centros de detenção durante o segundo mandato de Trump.

A informação é de Isaías Alvarado, publicada por El País, 16-07-2026.

O estado de saúde do venezuelano Jesús Manuel Arenas Silva deteriorou-se a bordo de um ônibus do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) na segunda-feira. Ele sofreu uma parada cardíaca enquanto era transferido entre dois centros de detenção na Geórgia. As equipes de emergência não conseguiram reanimá-lo e ele morreu no hospital. Ele tinha 45 anos. Sua morte eleva para 54 o número de migrantes que morreram sob custódia do ICE desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump, um dos números mais altos registrados na última década, de acordo com um relatório da Human Rights Watch.

Arenas Silva foi encontrado inconsciente por volta das 7h46 da manhã de segunda-feira, pouco antes de o ônibus chegar ao Centro de Processamento do ICE em Folkston. Os serviços de emergência foram acionados e o transportaram para o Hospital do Condado de Irwin, onde os médicos constataram seu óbito quase uma hora depois, segundo um comunicado.

Arenas Silva tentou entrar ilegalmente nos Estados Unidos em outubro de 2021, mas foi interceptado por agentes da Patrulha da Fronteira perto de Calexico, na Califórnia. Um juiz de imigração em Atlanta ordenou sua deportação após ele não comparecer a uma audiência. Agentes do ICE o prenderam em 9 de julho durante uma operação em Dallas, na Geórgia. "Enquanto estava sob custódia, Arenas Silva recebeu atendimento médico e foi avaliado por profissionais de saúde", afirmou a agência.

Nos últimos dias, as operações do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) têm sido alvo de críticas após uma série de incidentes que resultaram na morte de três imigrantes. Em Biddeford, Maine, um agente de imigração abordou Johan Sebastián Durán Guerrero, um pai colombiano de 26 anos, na rua e o matou a tiros. Na semana passada, Lorenzo Salgado Araujo, um imigrante mexicano de 52 anos, morreu após ser baleado por outro agente do ICE durante uma blitz policial em Houston, Texas. E na terça-feira, um homem de 28 anos foi morto após ser atropelado por um caminhão enquanto fugia de agentes de imigração e outras agências federais na Flórida.

A morte anterior sob custódia do ICE ocorreu em 19 de junho. Naquele dia, o mexicano Félix Alcorta Rodríguez, de 63 anos, foi encontrado inconsciente no Centro de Detenção do Condado de Webb, no Texas. Os serviços de emergência o transportaram para o Centro Médico de Laredo, onde ele foi declarado morto minutos depois. A causa oficial da morte ainda depende dos resultados da autópsia, informou a agência.

Segundo dados do ICE, 22 pessoas morreram sob sua custódia em 2026. Janeiro foi o mês com o maior número de mortes registradas, com seis casos, incluindo dois que ocorreram no mesmo dia: 14 de janeiro.

No entanto, a situação se torna mais grave ao analisarmos o período desde o início do segundo mandato de Trump. Um relatório recente da Human Rights Watch alerta que, nos 500 dias entre a posse do presidente, em 20 de janeiro de 2015, e 4 de junho deste ano, 52 pessoas morreram sob custódia do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega). Esse número aumenta ainda mais com as mortes subsequentes do venezuelano Jesús Manuel Arenas Silva e do mexicano Félix Alcorta Rodríguez, elevando o total para 54.

Segundo a organização, a taxa de mortalidade durante esse período é quase quatro vezes maior do que a registrada durante o governo de Joe Biden e mais de duas vezes e meia maior do que a do primeiro mandato de Trump. Mesmo durante a pandemia de COVID-19, níveis tão altos de mortes não foram atingidos nessas circunstâncias. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, quando um número recorde de mais de 71.000 migrantes foram detidos, houve também um aumento de 140% na taxa de mortalidade, conclui o relatório.

“O aumento no número de mortes é muito maior do que o esperado, mesmo levando em consideração o número consideravelmente maior de pessoas detidas”, devido a uma campanha agressiva para ampliar as prisões e deportações de imigrantes, observa a Human Rights Watch.

Trump exige que o ICE retome as abordagens de veículos após a agência tê-las suspendido na sequência da morte de dois migrantes.

Os assassinatos do colombiano Joan Sebastián Durán Guerrero, no Maine, e do mexicano Lorenzo Salgado Araujo, no Texas, reacenderam o debate sobre o treinamento de agentes de imigração.

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