O Papa e o que Moscou e Kiev (na realidade) sabiam

(Foto: Zelensky | Facebook)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

04 Mai 2023

Francisco não falou ao acaso quando revelou aos jornalistas que o acompanhavam em sua viagem de volta da Hungria no domingo que "ainda agora está em andamento uma missão" para "buscar um caminho para a paz" na Ucrânia”, “ainda não é pública, veremos... Quando for pública, falarei a respeito". Os “não sabemos” que chegaram ontem de Kiev e Moscou, por sua vez, mostram toda a dificuldade de uma empreitada que quatorze meses de conflito tornaram cada vez mais difícil: uma solução diplomática para a guerra iniciada com a invasão russa.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 03-05-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Quem devia saber, explicam do Vaticano, foi informado a tempo; as duas partes estavam cientes disso e certamente não foram informadas pelos jornais. Afinal, Francisco falou de "missão", não de um plano de paz já definido. E disse que está em curso “ainda agora”, porque é desde o início que a diplomacia vaticana repete que está pronta a favorecer de qualquer forma o diálogo, até hospedar conversações de paz. "Estou disposto a fazer o que for preciso fazer”, frisou Francisco. O Vaticano tem séculos de experiência a esse respeito, inclusive recentemente.

Às vezes não dá certo, como quando em 2003 João Paulo II enviou o cardeal Roger Etchegaray a Bagdá e o cardeal Pio Laghi a Washington em uma vã tentativa de deter a segunda Guerra do Golfo. Às vezes funciona, como no caso das cartas que o próprio Francisco entregou em 2014 a Barack Obama e Raúl Castro e propiciaram o degelo entre Estados Unidos e Cuba: em outubro as delegações se reuniram no Vaticano. Na véspera de sua partida para Budapeste, o Papa recebeu o primeiro-ministro ucraniano Denys Shmyhal.

Na Hungria, exortou a Europa a "reencontrar a sua alma” e a opor-se ao “infantilismo bélico” com a consciência de ter um “papel” autônomo na busca da paz: "Unir os distantes, não deixar ninguém para sempre inimigo". Ele se encontrou com Orban, o líder europeu mais próximo de Putin. Ele reabraçou o Metropolita Hilarion, antigo "ministro das Relações Exteriores" do Patriarcado de Moscou, depois "demitido" por sua oposição à guerra enquanto o Patriarca Kirill abençoava a invasão. Ele elogiou o embaixador de Moscou no Vaticano, "a relação com os russos é principalmente com ele". Trata-se de não fechar nenhum caminho: "A paz sempre se faz abrindo canais, nunca uma paz pode ser feita com fechamentos".

Leia mais