O apelo de Francisco: negociação entre EUA e Cuba passou pelo Vaticano

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: Cesar Sanson | 18 Dezembro 2014

As negociações entre os Estados Unidos e Cuba passaram por Canadá e Vaticano, revelou o New York Times nesta quarta-feira, com o Papa Francisco assumindo um papel essencial.

A reportagem é publicada pelo portal do jornal O Globo, 18-12-2014.

De acordo com o diário, o Papa encorajou reuniões secretas entre Obama e o presidente cubano, Raúl Castro, que deu fim a décadas de hostilidades e reabriu as relações diplomáticas. Após 18 meses de encontros sediadas no Canadá e encorajados por Francisco, o pontífice foi o anfitrião do último encontro. O acordo final foi selado com um telefonema entre os presidentes.

Ao anunciar as novas relações diplomáticas, Obama agradeceu ao Papa por seu papel no processo, e por “seu exemplo moral, mostrando ao mundo como ele deveria ser, em vez de simplesmente se conformar com o mundo como é”.

Cuba e o Vaticano estabeleceram relações diplomáticas em 1996, e essa aproximação foi encarada por muitos como uma tentativa de amenizar as restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos. O Papa João Paulo II foi o primeiro a visitar a ilha caribenha, em 1998.

Em 2012, seu sucessor, Bento XVI, também visitou Cuba, onde foi recebido por Raúl Castro e celebrou uma missa ao ar livre para mais de 200 mil pessoas. Bento XVI afirmou que o regime marxista do governo cubano “já não correspondia mais à realidade”, mas também criticou o embargo americano.

O secretário americano de Estado, John Kerry, visitou o Vaticano em três ocasiões: em janeiro, março e há poucos dias, quando se encontrou com o arcebispo Pietro Parolin, chefe das Relações Exteriores da Santa Sé. No encontro, o Vaticano teria reiterado o pedido para que os Estados Unidos fechem o centro de detenção na Baía de Guantánamo, em Cuba, que abriga suspeitos de terrorismo.

"Sua Santidade quer parabenizar a decisão histórica tomada pelos governos dos Estados Unidos e de Cuba para estabelecer relações diplomáticas, com o objetivo de superar, no interesse de cidadãos de ambos os países, as dificuldades que marcaram sua História recente", informou o Vaticano em comunicado.

O documento confirmou a participação do Vaticano "na facilitação do diálogo construtivo sobre assuntos delicados, resultando em soluções aceitáveis para ambas as partes", e afirmou que o Papa enviou cartas a Castro e Obama, "convidando-os a resolver questões humanitárias de interesse comum, incluindo a situação de certos prisioneiros, para iniciar uma nova fase nas relações entre os dois países".

O comunicado do Vaticano disse ainda que "A Santa Sé continuará a garantir o apoio a iniciativas que ambos os países adotem para fortalecer suas relações bilaterais e promover o bem-estar de seus respectivos cidadãos".