Quarenta anos de 'Ut Sit': Opus Dei, confrontado com a sua grande questão: e agora?

(Foto: Reprodução | Opus Dei)

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28 Novembro 2022

  • Quatro cenários, quatro soluções possíveis, à luz do Ad Charisma Tuendum;
  • Refundação, desobediência, pequenas modificações ou intervenção?

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 28-11-2022. 

Que futuro espera o Opus Dei depois do motu proprio Ad charisma tuendum, em que pela primeira vez um papa ousa tocar em alguns dos princípios imutáveis ​​da Obra fundada por Escrivá de Balaguer?

Hoje, 28 de novembro, comemora-se o 40º aniversário de sua declaração como a única prelazia pessoal da Igreja Católica. Preparando-se para as festividades do seu centenário (a intuição de S. Josemaria aconteceu em 1928), abrem-se quatro cenários para abordar o presente e o futuro do Opus Dei. Qualquer um deles, possível. Mesmo aquele sobre a estratégia do Gatopardo. Talvez hoje, quando o papa receber Ocáriz, saibamos alguma coisa.

1) O primeiro, o mais plausível a médio prazo, é se Francisco não se sente apoiado por quem tem que apoiar as decisões de um Papa, é que nada acontece. Que o Opus Dei transforma o limão em limonada e que as mudanças são meramente cosméticas e tão demoradas que a biologia (morte ou renúncia deste Papa) e os tempos da Igreja levam à 'revolução' na instituição gerada por Escrivá de Balaguer e consagrada por São João Paulo II permanece na mudança de hábito de seu Prelado e em pequenas modificações que, a longo prazo, permanecerão sem efeito, como a própria reforma da Cúria. Isso, não esqueçamos, deve ser implementado por um corpo de funcionários maioritariamente 'negacionista' e que, em muitos casos, é dominado por instituições como o Opus Dei.

2) O segundo cenário possível é que a Obra implemente, através do Congresso Extraordinário já convocado, todas e cada uma das modificações sugeridas pelo motu proprio pontifício. Todos e cada um... mas apenas aqueles e não mais um, algo que, na sua carta de convocação, o próprio prelado parece sugerir, embora admita que de tudo será possível falar. Porque tudo está aberto. O Opus Dei, então, entraria numa dinâmica de colaboração com o pontificado, à semelhança do que Francisco quer que faça, entre outros, Comunhão e Libertação.

3) O terceiro cenário, o mais improvável, é que o Opus Dei realmente leve a sério as ordens papais e inicia um processo de 'refundação ' no qual coloca uma ênfase especial na preservação do carisma fundador (o autêntico eixo do Ad charisma tuendum) e algumas de suas práticas que se assemelham ao que alguns especialistas chamam de 'seita intra-eclesial'. Ou seja, que a Obra faça hara kiri e assim poderá sair fortalecida depois de fazer sua catarse necessária.

4) Finalmente, a quarta possibilidade, que alguns chegaram a perguntar ao Papa (dizem que Bergoglio guarda esta carta para mais tarde) é uma "intervenção" na Obra e a nomeação de um comissário pontifício de modo que, ao estilo de outros movimentos, como os Legionários de Cristo, obriga o Opus Dei a modificar as suas constituições e até a reformular o lugar do seu fundador no presente, e no futuro, da Prelazia. Que, neste cenário hipotético, pode perder o seu estatuto, acabando com uma situação privilegiada inédita na Igreja, e que dificulta muito a criação de outras realidades semelhantes na nomenclatura mas radicalmente diferentes na forma de compreender a Igreja do século XXI. Poderia o Opus Dei sobreviver ao legado de Escrivá de Balaguer e à sua própria deriva? Será necessário chegar lá? Vamos ver.

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