Papa Francisco alerta contra o “formalismo na liturgia católica”

Fonte: Vatican News

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

10 Mai 2022

 

O Papa Francisco criticou as “mentalidades fechadas” daqueles que resistem às reformas litúrgicas do Concílio Vaticano II.

 

A reportagem é de Christopher Lamb, publicada por The Tablet, 07-05-2022. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

O Papa Francisco disse que as reformas litúrgicas do Concílio Vaticano II estão recebendo resistências de grupos com “mentalidades fechadas”, que questionam a autoridade dos bispos na preservação da tradição da Igreja.

A declaração de Francisco, feita durante uma fala a um grupo do Pontifício Instituto Sant’Anselmo em Roma, pode ser lida como uma defesa da sua decisão de publicar restrição no uso da liturgia pré-Vaticano II. O Papa também se dirigiu aqueles que criam divisões sobre a liturgia, dizendo que estes fazem o trabalho do diabo.

Traditionis Custodes (Guardiões da Tradição), motu proprio publicado em julho de 2021, transfere a autoridade para os bispos locais supervisionarem as celebrações da Missa Latina Tradicional e inverte a regra de 2007 de Bento XVI que facilitava aos padres para celebrarem o Rito Antigo. Mas muitos desses atrelados à missa Pré-Vaticano II responderam ao Traditionis Custodes com resistência e hostilidade raivosa.

“Mentes fechadas usam esquemas litúrgicos para defender seus pontos de vista”, disse o Papa durante o encontro. “Esse é o drama que nós estamos vivendo nos grupos eclesiais que estão se distanciando da Igreja, questionando o Concílio, a autoridade dos bispos... para preservar a tradição. E a liturgia é usada para isso”.

Quando Francisco publicou as restrições ao Rito Antigo, ele disse que estava procurando preservar a unidade da Igreja, dizendo que o apoio à liturgia pré-conciliar frequentemente inclui “uma rejeição não apenas da reforma litúrgica, mas do próprio Concílio Vaticano II, clamada por asserções infundadas ou insustentáveis”. Um concílio ecumênico é a mais alta forma de legislação na Igreja, e no Vaticano uma maioria esmagadora de bispos votou pela reforma da liturgia.

Mas em suas declarações aos liturgistas da Sant’Anselmo, o Papa de 85 anos apontou que a resistência à reforma litúrgica não é nova. Pio XII, disse Francisco, enfrentou resistência quando ele introduziu mudanças na liturgia da Semana Santa, permitindo missas aos sábados à tarde e mudando as regras sobre o jejum antes de receber a comunhão.

“Todas essas coisas escandalizaram as mentes fechadas”, explicou o Papa. “Os Padres do Concílio fizeram um grande trabalho de assegura que esse fosse o caso. Nós precisamos continuar essa tarefa de ser formados pela liturgia”.

Francisco apontou três áreas de renovação que ocorreram na liturgia após as reformas do Concílio, que incluíram: uma “participação ativa e frutífera” dos crentes comuns; a edificação da comunhão na Igreja através da celebração da Eucaristia e o impulso para que todos os batizados evangelizem partindo da liturgia.

O Concílio, disse ele, “deseja preparar com abundância a mesa da Palavra de Deus e da Eucaristia, para tornar possível a presença de Deus no meio do seu povo”. Significava que a Igreja, através da oração litúrgica, prolonga a obra de Cristo entre os homens e mulheres de todas as épocas, e também na criação.

O Papa advertiu sobre o perigo do “formalismo”, um foco excessivo em aspectos externos e rubricas particulares que podem ser vistos entre os grupos dedicados à liturgia pré-Vaticano II.

“Gostaria de sublinhar o perigo, a tentação do formalismo litúrgico: ir atrás das formas, das formalidades em vez da realidade, como vemos hoje naqueles movimentos que tentam retroceder e negar o Concílio Vaticano II”, explicou Francisco, acrescentando que isso significa “a festa é recitação, é algo sem vida, sem alegria”.

Embora as reformas litúrgicas do Concílio tenham sido amplamente aceitas pelos católicos em todo o mundo, um pequeno número de grupos continuou a defender vigorosamente a liturgia pré-Vaticano II. Francisco, no entanto, descreveu as reformas pós-conciliares como “irreversíveis”. O Papa também disse que as concessões para permitir essas celebrações oferecidas por João Paulo II e Bento XVI foram usadas para “encorajar divergências que prejudicam a Igreja, bloqueiam seu caminho e a expõem ao perigo da divisão”.

Em seu último discurso, Francisco descreveu a divisão sobre a liturgia como motivada pelo diabo. “Quando a vida litúrgica é uma bandeira de divisão, há o cheiro do diabo, o enganador”, disse ele. “Não é possível adorar a Deus e ao mesmo tempo fazer da liturgia um campo de batalha para questões que não são essenciais”.

Após a publicação de Traditionis Custodes, o escritório de liturgia da Santa Sé publicou diretrizes adicionais para ajudar na sua implementação. Francisco também deu permissão a um grupo tradicionalista, a Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, para continuar celebrando exclusivamente os sacramentos no Rito Antigo.

 

Leia mais