“O consumismo sequestrou o Natal”, alerta o Papa (c/ vídeo)

Foto: Pixy

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

21 Dezembro 2020

Francisco convidou a oferecer uma prenda aos mais necessitados, apelando à solidariedade, particularmente em ano de pandemia.

A reportagem é publicada por Ecclesia, 20-12-2020.

O Papa Francisco criticou hoje no Vaticano o consumismo associado à celebração do Natal, pedindo aos católicos que assinalem o nascimento de Jesus com atenção aos mais necessitados e com a oração.

“O consumismo, irmãos e irmãs, sequestrou o Natal. O consumismo não está na manjedoura de Belém, ali está a realidade, a pobreza, o amor”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação da oração do ângelus.

“Não nos deixemos levar pelo consumismo. ‘Ah, tenho de comprar os presentes, tenho de fazer isto’, o frenesim de fazer coisas, coisas, coisas… O importante é Jesus”, acrescentou.

Perante centenas de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, num momento de oração com transmissão online, o Papa referiu-se ao “momento difícil” provocado pela Covid-19.

Em vez de reclamarmos do que a pandemia nos impede de fazer, façamos algo por quem tem menos: não um enésimo presente para nós e para os nossos amigos, mas para uma pessoa necessitada, em quem ninguém pensa”.

Francisco deixou ainda outro conselho para a celebração do Natal, deixando votos de que seja “oportunidade de renovação interior, de oração, de conversão, de passos em frente na fé, e de fraternidade”.

“Para que Jesus nasça em nós, preparemos o coração, vamos rezar, não deixemos levar pelo consumismo”, declarou.

O Papa pediu atenção para quem se encontra “na indigência, o irmão que sofre, onde quer que se encontre”.

“O irmão que sofre pertence-nos, é Jesus na manjedoura. Aquele que sofre é Jesus”, realçou.

“Pensemos um pouco nisto, para que o Natal seja aproximar-se de Jesus neste irmão, nesta irmã. É aí, no irmão em necessidade, que está o presépio para o qual devemos ir, com solidariedade; este é o presépio vivo, o presépio no qual encontraremos verdadeiramente o Redentor, nas pessoas em necessidade”.

No final do encontro, o Papa elogiou a mostra ‘100 presépios’ que, este ano, decorre na Colunata da Praça de São Pedro, falando numa “catequese da fé para o Povo de Deus”.

Francisco destacou como a arte procura “mostrar como nasceu Jesus”, numa “grande catequese” da fé cristã.

A exposição “100 Presépios no Vaticano” acontece ao ar livre, sob a colunata de Bernini que envolve a Praça São Pedro, devido às limitações impostas pela pandemia.

A mostra percorre 30 países, num convite a conhecer as diversas tradições de representar a cena da Natividade.

Foto: Ecclesia

A entrada é controlada, mas gratuita, e feita num percurso de sentido único.

A reflexão dominical do Papa partiu do anúncio do nascimento de Jesus, feito a Maria (Lc 1, 28,31), um momento de alegria e também de incerteza.

“Tendo um filho, Maria teria transgredido a Lei, e as penas para as mulheres eram terríveis: estava previsto o apedrejamento”, recordou.

Foto: Ecclesia

Francisco sublinhou que a resposta de Maria manifesta um “desejo forte” de corresponder à vontade de Deus, sem adiar decisões.

Após a oração, o Papa disse que a pandemia criou especiais dificuldades aos trabalhadores marítimos.

“Muitos deles – estima-se que 400 mil, em todo o mundo – estão presos nos navios, para lá do termo dos seus contratos, e não podem regressar a casa”, alertou.

Foto: Ecclesia

Francisco rezou à Virgem Maria, para que conforte estas pessoas e todos os que vivem situações de dificuldade, pedindo aos governos “façam o possível” para que os trabalhadores possam voltar a estar com os seus entes queridos.

Leia mais