“30% dos eleitos para serem bispos rejeitam a nomeação”, revela cardeal Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos

Celebração de entrega dos pálios aos novos arcebispos, na festa de São Pedro e São Paulo, no Vaticano. Foto: L'Osservatore Romano

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09 Dezembro 2019

Em torno de 30% dos padres que o papa Francisco elege para serem ordenados bispos rejeitam a oferta, uma cifra três vezes mais alta que a de 10 anos. “Quando cheguei aqui, há quase uma década, um em cada dez não aceitava, alegando motivos pessoais ou de outro tipo. Agora são três em cada dez”, revela o cardeal canadense Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, em uma ampla entrevista à Vida Nueva, que será publicada na próxima edição da revista.

A entrevista é publicada por Vida Nueva Digital, 07-12-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

“Pode ser por não se sentirem capazes, por lhes faltar a fé, por ter alguma dificuldade em suas vidas ou prefiram não correr o risco de provocar danos à Igreja. Deve-se a diversas razões, que são respeitadas, explica o purpurado, que relaciona essa situação com a “crise geral da fé” que se vive em boa parte do mundo e que também se manifesta “no matrimônio, na vida consagrada, na vida sacerdotal e na cultura”.

Menos professores, mais pastores

Ouellet oferece um tipo de “modelo” do bispo ideal. “Não basta enfatizar as verdades da fé, porque a cultura mudou muitíssimo nos últimos 40 anos e deve entrar em uma nova era de diálogo”, disse, para destacar que hoje a Igreja necessita “menos professores e mais pastores”. Busca-se, portanto, clérigos com “cheiro de ovelha”, que “tenham empatia” e interesse pelos “mais pobres e afastados”.

“Quando nos ocupamos mais dos que sofrem, dos abandonados, dos pobres que lutam para sobreviver, toda a comunidade está em missão e se renova assim por meio da caridade concreta”, defende o prefeito do dicastério vaticano, reconhecendo que há inclusive “padres e bispos” que ainda não entendem esse conceito por completo. “Os pobres não são uma ideologia para o Papa, mas sim algo evangélico. É a missão da caridade e se não está precedida por ela, a explicação não basta, a palavra não penetra”.

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