O que são as “superplantas” propostas pela geneticista premiada Joanne Chory?

Arabidopsis thaliana inflorescencias (Fonte: Wikimedia Commons)

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18 Outubro 2019

Apesar do ceticismo de alguns, estarmos imersos em uma crise climática é uma realidade ancorada, por exemplo, no fato de que o número de pessoas deslocadas por desastres naturais relacionados ao clima já supera o número de pessoas que fogem de suas casas em consequência das guerras. De fato, alguns estudos preveem que essa crise expulsará 140 milhões de pessoas de suas casas, nos próximos 30 anos.

A reportagem é de Elena Martínez Batalla, publicada por La Vanguardia, 17-10-2019. A tradução é do Cepat.

Conscientes disso, os cientistas trabalham para que o impacto da crise climática seja o menor possível. Nesse sentido, a geneticista norte-americana Joanne Chory propõe desenvolver superplantas modificando seus genes, uma ideia pela qual foi reconhecida, em junho passado, com o Prêmio Princesa das Astúrias de Pesquisa Científica e Técnica 2019.

Especificamente, a estadunidense, que há anos estuda as respostas moleculares e genéticas das plantas às variações ambientais, propõe modificar as plantas geneticamente para produzir mais suberina, substância que atrasa sua decomposição, o que ajudaria a reter por mais tempo sob a terra o dióxido de carbono que as plantas liberam na atmosfera quando morrem.

Além disso, isso preveniria a erosão, que é outro subproduto do aquecimento global. Por isso, Chory, que é diretora do laboratório de biologia celular e molecular do Instituto Salk (Califórnia, Estados Unidos), afirma que se essas modificações genéticas fossem realizadas em todo o mundo, as emissões de dióxido de carbono poderiam ser reduzidas em até 46%.

Para o desenvolvimento de sua pesquisa sobre os mecanismos que regulam o funcionamento das plantas, Chory experimenta há muito tempo as espécies de Arabidopsis thaliana porque seu genoma está completamente sequenciado e se assemelha ao de muitas outras plantas. Entre seus achados, estão a descoberta de hormônios que regulam o crescimento dessa planta e a identificação de genes que participam da fotossíntese.

Para o cultivo de suas superplantas, a pesquisadora usou as técnicas de edição genética mais inovadoras, embora agora necessite obter a aprovação dos agricultores para tentar a mesma técnica em suas lavouras, algo que não será fácil porque temem que as modificações genéticas afetem a sua produção.

Chory não é a única que parou para pensar em como reduzir a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera. De fato, em todo o mundo existem várias instalações que capturam e armazenam carbono, mas, diferentemente das superplantas, isso ocorre a um preço proibitivo.

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