A vida é só para Deus

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16 Outubro 2020

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Mateus 22,15-21, que corresponde ao 29° Domingo do ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto.

A exegese moderna não deixa lugar a dúvidas. O primeiro para Jesus é a vida, não a religião. Basta analisar a trajetória da Sua atividade. Vê-se que está sempre preocupado em suscitar e desenvolver, no meio daquela sociedade, uma vida mais sã e digna.

Pensemos na sua atuação no mundo dos doentes: Jesus aproxima-se de quem vive a sua vida de forma diminuída, ameaçada ou insegura, para despertar neles uma vida mais plena. Pensemos na sua aproximação aos pecadores: Jesus oferece-lhes o perdão que os faça viver uma vida mais digna, resgatada da humilhação e do desprezo. Pensemos também nos endemoniados, incapazes de ser donos da sua existência: Jesus liberta-os de uma vida alienada e desequilibrada pelo mal.

Como sublinhou Jon Sobrino, pobres são aqueles para quem a vida é uma carga pesada, pois não podem viver com um mínimo de dignidade. Essa pobreza é o oposto ao plano de vida original do Criador. Onde um ser humano não pode viver com dignidade, a criação de Deus aparece aí como viciada e anulada.

Por isso Jesus se preocupa tanto com a vida concreta dos camponeses da Galileia. O primeiro que necessitam aquelas pessoas é viver e viver com dignidade. Não é a meta final, mas agora mesmo o mais urgente. Jesus convida-os a confiar na salvação última do Pai, mas faz salvando as pessoas de males e aliviando doenças e sofrimentos. Anuncia-lhes a felicidade definitiva, no seio de Deus, mas faz introduzindo dignidade, paz e felicidade neste mundo.

Por vezes, os cristãos expomos a fé com tal confusão de conceitos e palavras que, na hora da verdade, poucos entendem sobre o que é exatamente o reino de Deus de que fala Jesus. No entanto, as coisas não são tão complicadas. A única coisa que Deus quer é isto: uma vida mais humana para todos e desde agora, uma vida que alcance a sua plenitude na vida eterna. Por isso não há que dar a nenhum César o que é de Deus: a vida e a dignidade dos seus filhos.

 

 

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