A queixa de Deus

Fonte: https://bit.ly/2NC537D

Mais Lidos

  • “Meu pai espiritual, Santo Agostinho": o Papa Leão XIV, um ano depois. Artigo de Carlos Eduardo Sell

    LER MAIS
  • Aumento dos diagnósticos psiquiátricos na infância, sustentado por fragilidades epistemológicas e pela lógica da detecção precoce, contribui para a medicalização da vida e a redefinição de experiências comuns como patologias

    A infância como problema. Patologização e psiquiatrização de crianças e adolescentes. Entrevista especial com Sandra Caponi

    LER MAIS
  • A mineração de terras raras tem o potencial de ampliar a perda da cobertura vegetal nas áreas mineradas, além de aumentar a poluição por metais tóxicos e elementos químicos radioativos que são encontrados associados às terras raras, afirma o pesquisador da UFRGS

    Exploração de terras raras no RS: projeto põe recursos naturais em risco e viabiliza catástrofes. Entrevista especial com Joel Henrique Ellwanger

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

31 Agosto 2018

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 7,1-8.14-15.21-23 que corresponde ao 22° Domingo do Tempo Comum, ciclo B, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto

A queixa de Deus

Um grupo de fariseus da Galileia aproxima-se de Jesus em atitude crítica. Não vêm sós. Estão acompanhados por alguns escribas vindos de Jerusalém, preocupados sem dúvida em defender a ortodoxia dos simples camponeses das aldeias. A atuação de Jesus é perigosa. Convêm corrigi-la.

Observaram que, em alguns aspectos, os seus discípulos não seguem a tradição dos mais velhos. Apesar de falarem do comportamento dos discípulos, a sua pergunta dirige-se a Jesus, pois sabem que é Ele quem lhes tem ensinado a viver com aquela liberdade surpreendente. Por quê?

Jesus responde-lhes com umas palavras do profeta Isaías que iluminam muito bem a Sua mensagem e a Sua atuação. Estas palavras com as que Jesus se identifica totalmente têm de escutá-las com atenção, pois tocam em algo muito fundamental da nossa religião. Segundo o profeta de Israel, esta é a queixa de Deus.

«Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim». Este é sempre o risco de toda a religião: dar culto a Deus com os lábios, repetindo fórmulas, recitando salmos, pronunciando palavras bonitas, enquanto o nosso coração «está longe Dele». No entanto, o culto que agrada a Deus nasce do coração, da adesão interior, desse centro íntimo da pessoa de onde nascem as nossas decisões e projetos.

Quando o nosso coração está longe de Deus, o nosso culto fica sem conteúdo. Falta-lhe a vida, o escutar sincero da Palavra de Deus, o amor ao irmão. A religião converte-se em algo exterior que se pratica por hábito, mas em que faltam os frutos de uma vida fiel a Deus.

A doutrina que ensinam os escribas são preceitos humanos. Em toda a religião há tradições que são «humanas». Normas, costumes, devoções que nasceram para viver a religiosidade numa determinada cultura. Podem fazer muito bem. Mas fazem muito mal quando nos distraem e afastam do que Deus espera de nós. Nunca devem ter a primazia.

Ao terminar a citação do profeta Isaías, Jesus resume o Seu pensamento com umas palavras muito graves: «Vocês deixam de lado o mandamento de Deus para agarrarem-se à tradição dos homens». Quando nos agarramos cegamente a tradições humanas, corremos o risco de esquecer o mandato de amor e desviamo-nos de seguir a Jesus, Palavra encarnada de Deus. Na religião cristã, em primeiro é sempre Jesus e a Sua chamada ao amor. Só depois vêm as nossas tradições humanas, por muito importantes que nos possam parecer. Não temos de esquecer nunca o essencial.

Leia mais