'Considero Lula um líder, não um chefe', diz Tarso

Imagem: Ricardo Stucker/Fotos Públicas

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22 Junho 2017

O ex-ministro Tarso Genro afirma que a candidatura do ex-presidente Lula deve ser amparado por "um leque de forças que vá do centro progressista à esquerda social-democrata e socialista".

Crítico ao comando do PT, ele participou no domingo de uma reunião com integrantes do PSOL e de movimentos de esquerda para construir uma frente e um programa de esquerda.

A entrevista é de Catia Seabra, publicada por Folha de S. Paulo, 22-06-2017.

Eis a entrevista.

Qual razão o levou a participar de uma reunião ampla, já que não tem comparecido às reuniões do PT?

Tenho participado de foros da esquerda para debater uma nova frente e um programa de transição de uma economia liberal-rentista, que nos sufoca, para uma desenvolvimentista nacional-popular, que privilegie a distribuição de renda e o emprego. Esta reunião era para ser reservada. Por isso, não vou falar sobre ela.

Por que o sr não tem ido às reuniões do PT?

Cristalizou-se uma maioria na nossa direção cuja agenda é meramente defensiva em relação ao que nos aconteceu com o impedimento de Dilma. Não estou falando que é preciso fazer uma autocrítica como penitência, mas que seria necessário examinarmos em profundidade as escolhas econômicas e políticas que fizemos e nos tornaram reféns de uma confederação de investigados e denunciados, que eram nossos aliados, e aderiram, sem pudor, a um programa liberal-rentista.

É uma resposta à presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que disse que o partido não deveria se açoitar?

Não estou respondendo a Gleisi. Acho que ela até foi uma boa solução, renovadora dentro da atual hegemonia. Mas, se não abrir o debate à esquerda, a própria candidatura de Lula será prejudicada.

A presença do sr. na reunião pode ser vista como uma disposição de deixar o PT?

Não tenho nenhuma decisão sobre deixar o PT.

Quando diz que ainda não tomou decisão, é porque não descarta a hipótese?

Partido não é religião, nem sociedade secreta organizada com cruzamento de sangue. Atualmente, não vejo um instrumento melhor do que o PT, com suas grandezas e misérias, para atuar politicamente com realismo e esperança.

O sr. informou a Lula sobre a reunião de domingo?

Minha relação com Lula se baseia no fato de que reconheço nele a melhor liderança do PT e do país. Mas não temos qualquer dever de subordinação pessoal na nossa militância. Considero Lula um líder e não um chefe.

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