Ser perdoado, saber perdoar. Breve reflexão para crentes ou não. Comentário de Chico Alencar

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13 Setembro 2026

"Perdoar exige grandeza. E compreensão de que o outro é nosso irmão, que a Humanidade é uma só. Mutualidade, fraternidade, cooperacão pessoal e internacional - que estamos longe de alcançar, mas não podemos deixar de tentar", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ, ao comentar o Evangelho desse domingo.

Eis o comentário.

O Evangelho desse domingo (Mateus, 18, 21-35) é sobre o perdão infinito: "não sete vezes, mas setenta vezes sete". O número sete, na Bíblia, simboliza completude, ciclo realizado, cumprido à perfeição.

Errar é da natureza humana. Teimar no erro é não querer crescer, se superar.

Jesus, o Mestre da justiça e do perdão, insiste no valor da reconciliação, da compaixão.

Ele faz, na parábola, a exigência da reciprocidade, como está na sua oração universal: "perdoai as nossas ofensas (dívidas), assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido".

Trata-se de dar o que foi recebido, fazer com o outro o que pedimos para que se faça conosco.

Relação igualitária, bem diferente do servo perdoado de dívida imensa que não perdoou seu companheiro de débito mínimo...

"Perdoar de coração o irmão" (35) não é ser conivente com o erro, mas sim não reagir ao mal com maldade. Isso não transforma ninguém, apenas cristaliza ódios e sede de vingança: "na linha do olho por olho, em pouco tempo estaremos todos cegos" (Mahatma Gandhi, 1869-1948).

Para ser perdoado é preciso, com humildade, reconhecer o erro - tão difícil nesses tempos de egos inflados - e conversão a uma vida nova, solidária.

Todo perdão - "anistia", no plano socio-político - depende da atitude do ofensor. Ele precisa reconhecer seu erro, fazer sincera autocrítica, praticar o que no Direito se chama "arrependimento eficaz".

Nesse mundo de imposição de poder pela força e submissão de povos e nações por supostas "dívidas financeiras", que governante age assim?

Perdoar exige grandeza. E compreensão de que o outro é nosso irmão, que a Humanidade é uma só. Mutualidade, fraternidade, cooperacão pessoal e internacional - que estamos longe de alcançar, mas não podemos deixar de tentar.

Carlito Maia (1924-2002) avisou: "Precisamos de pouca coisa: apenas uns dos outros".

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