Modelo dos debates presidenciais ficou velho para a era dos algoritmos, analisa cientista política

Foto: camilo jimenez/Unplash

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25 Agosto 2026

Mayra Goulart destaca descompasso entre o embate televisivo e um eleitorado acostumado a conteúdos hipersegmentados.

A reportagem é de José Bernardes, Larissa Bohrer e Maria Teresa Cruz, publicada por Brasil de Fato, 24-08-2026.

Muita hostilidade e pouca discussão de propostas: essa foi a tônica do primeiro debate presidencial realizado pela TV Band, neste domingo (23), que também ficou marcado pela ausência do presidente Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os candidatos que lideram a disputa. Compareceram Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD).

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que o formato do debate não acompanhou o processo da comunicação de hoje em dia, mediada por algoritmos e que busca boa performance com um público cada vez mais nichado. “A comunicação política tem ocorrido muito mais na produção de conteúdos específicos para grupos e trabalhados pela própria campanha do que em situações em que há uma espontaneidade da emissão e essa emissão vai ser processada pelos diferentes grupos autonomamente”, explica.

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Mayra Goulart destaca que a pessoa que está assistindo a um debate tem acesso ao “material bruto”. “Existe um descompasso cada vez maior entre um público que só consome informações que são filtradas pelos algoritmos e de alguma maneira são preparadas ou têm anteparos, filtros que já calibram ela para suas preferências, suas identidades, seu modo de ver o mundo, e o modelo do debate que é de um mundo antigo em que a opinião pública se formava nesses espaços efetivamente públicos”, avalia.

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