Condenações e escândalos de corrupção complicam o caminho eleitoral do bolsonarismo no Brasil

Mais Lidos

  • "Um leigo pode liderar a paróquia", propõe Jordi Bertomeu, representante do Dicastério para a Doutrina da Fé

    LER MAIS
  • Intervalos bíblicos, militares e conselhos tutelares: o avanço da teologia do domínio no Brasil. Artigo de Lucas Vinicius Oliveira dos Santos

    LER MAIS
  • Eleições no Brasil estão na órbita dos interesses geopolíticos dos EUA para tentar consolidar sua influência no continente sul-americano em favor das próprias investidas contra a soberania brasileira e regional

    Brasil na mira do intervencionismo trumpista. Entrevista especial com Patricia Mechi

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

16 Julho 2026

A cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro e as ligações do candidato Flávio Bolsonaro com a maior fraude financeira do país diminuíram as expectativas da extrema-direita brasileira de retornar ao poder.

A reportagem é de Bernardo Gutiérrez, publicada por El Diario, 15-07-2026.

A família Bolsonaro está entre a cruz e a espada. Enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar, a vida política de seus filhos, Eduardo e Flávio, se complica a cada dia. Em junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, por coação relacionada à tentativa de golpe contra o presidente Lula da Silva, além de uma proibição de oito anos de ocupar cargos públicos. Ele já havia perdido sua cadeira no Congresso por ter estabelecido residência nos Estados Unidos.

Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pelo caso, argumentou que Eduardo Bolsonaro pressionou as autoridades americanas e o presidente Donald Trump para impor sanções contra o Brasil, o que representava uma séria ameaça às instituições do país.

No entanto, a maior sombra que paira sobre a família Bolsonaro está relacionada ao escândalo do Banco Master, considerado a maior fraude financeira da história do Brasil, estimada em quase 9 bilhões de euros. A contribuição multimilionária que Flávio Bolsonaro solicitou a Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, para o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro, é apenas a ponta do iceberg da corrupção que, à medida que as investigações avançam, se espalha por todo o espectro político conservador.

Subornos com dinheiro público

Daniel Vorcaro, preso desde o final de 2025, usou fundos de pensão públicos e capital obtido por meio de esquemas fraudulentos de investimento para subornar políticos em troca de favores. Embora o escândalo tenha recentemente envolvido o senador Jacques Wagner, do Partido dos Trabalhadores (PT) — a Polícia Federal (PF) está investigando a compra de um apartamento de luxo por ele e sua suposta ligação com Vorcaro —, os tentáculos do Banco Master alcançam, sobretudo, figuras-chave da direita e da extrema-direita.

O senador Ciro Nogueira, aliado fiel de Bolsonaro, está no epicentro do escândalo. Em troca de uma vida de luxo e pagamentos mensais de Daniel Vorcaro, Nogueira usou sua atividade legislativa para beneficiar o Banco Master. Enquanto isso, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ambos declarados inimigos do governo Lula, também estão implicados no caso. Até mesmo o jovem deputado Níkolas Ferreira, enfant terrible do Partido Liberal (PL) de Bolsonaro, está sob investigação depois que a polícia encontrou seu nome entre os contatos de Daniel Vorcaro.

Trumpismo e megaprisões

Enquanto a pressão judicial e midiática ataca os próprios alicerces do movimento político de Bolsonaro, o candidato à presidência Flávio Bolsonaro está endurecendo sua plataforma eleitoral. Seguindo as recomendações de seu partido, ele está centrando toda a sua campanha na segurança.

Antes de apresentar seu programa Brasil sem medo, que se apropria da narrativa da campanha de Lula para 2022, ele lançou um vídeo de paródia do filme Top Gun, feito com inteligência artificial, no qual metralha barcos de comandos de narcotraficantes e do PT de Lula.

Este "Brasil sem medo" que Flávio Bolsonaro pretende instaurar caso vença as eleições presidenciais vai muito além da designação dos cartéis de drogas brasileiros como organizações terroristas pelo governo Trump. O programa propõe replicar o controverso sistema prisional de segurança máxima de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, e criar meio milhão de novas vagas em presídios.

As cinco novas megaprisões previstas para construção fazem parte de um novo modelo prisional que Bolsonaro apelidou de "trevas". "É justamente para iluminar os cidadãos cumpridores da lei e lançar na escuridão aqueles marginais perigosos e líderes de facções", explicou Flávio Bolsonaro no lançamento do programa. O Brasil Sem Medo também prevê a instalação de um milhão de câmeras de vigilância com tecnologia de reconhecimento facial, o uso de inteligência artificial para perseguir criminosos e a castração química de homens que cometem violência de gênero.

As pesquisas confirmam que a maioria do eleitorado associa o escândalo do Banco Master mais a Flávio Bolsonaro do que a Lula. Uma pesquisa da Quaest revela que 65% do eleitorado acredita que Flávio Bolsonaro errou ao solicitar fundos para o filme Dark Horse. Mais importante ainda, entre os eleitores indecisos, um grupo demográfico crucial na corrida presidencial, Lula abriu uma vantagem de 13 pontos percentuais.

O líder do partido, com suas contas bancárias congeladas

Como se isso não bastasse, a Força-Tarefa Especial (STF) ordenou na semana passada o congelamento das contas do presidente do Partido Trabalhista, Valdemar Costa Neto, num montante equivalente a 20,3 milhões de euros, no âmbito de uma investigação sobre alegada corrupção ligada ao peculato e à apropriação indevida de fundos públicos.

Segundo o relatório da Polícia Federal, citado pela Agência Estadão, o político utilizou funcionários da Câmara dos Deputados para desviar verbas do orçamento oficial em seu próprio benefício.

Costa Neto exerce considerável influência sobre os deputados do partido, que atualmente detém a maior bancada na Câmara dos Deputados. Embora tenha negado as acusações, o caso veio à tona como uma bomba em meio aos sérios problemas legais que cercam o candidato de extrema-direita.

Apesar de abalado, o movimento de Bolsonaro não está derrotado e continua a se movimentar, contando com o apoio de Kassio Nunes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nomeado durante o governo de Jair Bolsonaro. Nunes já proibiu a publicação de uma pesquisa Atlas/Intel que mostrava a queda de Flávio Bolsonaro, alegando que as perguntas que ligavam o candidato ao escândalo do Banco Master eram tendenciosas.

Leia mais