Indígenas acionam ONU e CIDH contra ameaças a direitos no STF

Foto: Guilherme Cavalli/Cimi

Mais Lidos

  • Inspirado na filosofia africana de Mogobe Ramose e pela história do Quilombo Mesquita, em Cidade Ocidental, Goiás, pesquisador defende que a pluridiversidade das comunidades quilombolas revela uma forma de existência fundada na ancestralidade, na reciprocidade e na multiplicidade das cosmopercepções.

    Pluridiversidade quilombola: quando a multiplicidade dos mundos se torna horizonte de justiça, pertencimento e resistência. Entrevista especial com Manoel Barbosa Neres

    LER MAIS
  • O que falta no programa de Lula. Artigo de Luiz Carlos Bresser-Pereira

    LER MAIS
  • A figura de Trump provavelmente pairará sobre a viagem do papa à América Latina

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

12 Agosto 2026

Mobilização “Nosso Território, Nossa Vida” promove caminhada em Brasília e vigília na Suprema Corte durante mais uma votação do marco temporal.

A informação é publicada por ClimaInfo, 12-08-2026.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) enviou um alerta urgente à ONU e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) diante da retomada de julgamentos decisivos no Supremo Tribunal Federal (STF) neste mês. Além disso, a mobilização “Nosso Território, Nossa Vida”, lançada na semana passada, promoveu ontem (11/8), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, um ato de protesto contra os ataques do Congresso aos direitos indígenas e a morosidade do governo na demarcação de territórios.

No centro da denúncia da APIB à ONU e à CIDH está o julgamento conjunto do Tema 1.031 (repercussão geral sobre Territórios Indígenas) e de recursos contra a Lei nº 14.701/2023 pela Corte. A lei estabeleceu o marco temporal para a demarcação de Terras Indígenas (TIs), mesmo após o STF ter declarado a tese inconstitucional. A APIB defende que a última decisão da Corte sobre o marco temporal, tomada em dezembro de 2025, fixou regras que inviabilizam a demarcação, informam Alma Preta Jornalismo e O Globo.

Na 6ª feira passada (7/8), o STF retomou a análise de recursos relativos às regras de demarcação de TIs e ao direito à indenização estabelecidos pela decisão anterior. Entre elas está o direito de retenção, que permite aos ocupantes não indígenas permanecerem nas terras até o pagamento das indenizações.

Para a APIB, condicionar o pagamento à desocupação dos territórios pode paralisar as demarcações devido à insuficiência orçamentária do Estado. Além disso, o acórdão do STF equipara as retomadas indígenas a invasões possessórias comuns, permitindo remoções policiais e a punição de comunidades com a perda de prioridade na fila de demarcação.

A ameaça é imediata para os Pataxó e Pataxó Hã--Hãe, da Bahia, e Guarani e Kaiowá, do Mato Grosso do Sul. Esses povos já enfrentam interpretações jurídicas alinhadas ao acórdão da Corte para embasar ordens de reintegração de posse em desfavor dos indígenas.

“Os Territórios Indígenas são um direito originário, reconhecido pela Constituição e anterior ao próprio Estado. A demarcação apenas identifica e protege esse direito já existente. A APIB acionou a ONU e a CIDH porque o julgamento pode esvaziar essa garantia na prática, criar novas barreiras às demarcações e criminalizar povos que retornam aos territórios dos quais foram expulsos”, reforçou Ricardo Terena, coordenador jurídico da organização.

Em tempo

A APIB pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que apure o afastamento do juiz indígena Yves Luan Carvalho Guachala, de 37 anos, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), informa o Brasil 247. O magistrado afirma que sofre perseguição relacionada à sua origem e às decisões que tomou na comarca de Catanduvas, no meio-oeste catarinense.

Em maio, o Metrópoles revelou que, durante a apuração interna, foram registrados depoimentos com referências à ascendência indígena, à aparência e até aos hábitos pessoais do juiz. Entre os relatos, constam afirmações de que ele teria jeito de “traficante” e “levaria enquadro”, além de críticas ao fato de praticar exercícios físicos em locais públicos usando camiseta regata. É racismo que chama?

Leia mais