O teólogo vienense Marschütz contradiz as críticas da Igreja em relação ao gênero

Foto: Kenneth Sørensen/Unsplash

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09 Mai 2026

O teólogo e eticista vienense Gerhard Marschütz critica a Igreja por atacar frequentemente um conceito de gênero que não existe dessa forma. Em entrevista ao portal católico "Kirche und Leben" na quinta-feira, ele afirmou que não existe apenas uma teoria de gênero, mas diversas abordagens. Estas enfatizam que os conceitos de gênero "sempre surgem dentro de contextos sociais e culturais".

A informação é publicada por Katholisch, 07-05-2026.

O ex-professor associado de ética teológica da Universidade de Viena também se referiu ao documento Dignitas infinita, de 2024. Nele, a autoridade doutrinal do Vaticano alerta contra uma "ideologia de gênero" e a perda da diferença entre os gêneros. Segundo Marschütz, se essa preocupação é justificada "não se pode afirmar em termos gerais".

Dois extremos

O termo "ideologia de gênero" é frequentemente usado para construir uma contraimagem que raramente se encontra no discurso acadêmico. "As abordagens de gênero geralmente não visam apagar as diferenças, mas sim compreendê-las de maneira diferente — não apenas em termos biológicos", explicou a teóloga. Os argumentos da Igreja frequentemente contrapõem dois extremos: a escolha arbitrária de gênero, por um lado, e uma ordem estritamente natural, por outro. No entanto, o debate real se move de forma muito mais sutil entre esses dois extremos, acrescentou Marschütz.

O especialista em ética atribui o ceticismo da Igreja em relação à homossexualidade e à identidade transgênero ao pensamento da lei natural. Na tradição da Igreja, o gênero está intimamente ligado à reprodução, razão pela qual o casamento entre um homem e uma mulher é considerado a forma normativa. Desvios são rapidamente categorizados como "não naturais". As perspectivas de gênero, por outro lado, enfatizam um ponto diferente: "Elas entendem as diferentes orientações sexuais e identidades de gênero como variações da existência humana".

Marschütz vê uma possível saída para o confronto na própria tradição da Igreja, "especialmente no Concílio Vaticano II". Lá, o pensamento da lei natural já era questionado e complementado por uma perspectiva pessoal. "Os seres humanos não são definidos apenas por sua natureza, mas são compreendidos como pessoas com dignidade, liberdade e consciência", disse o especialista em ética.

O problema, porém, é que essa perspectiva muitas vezes fica em segundo plano mais tarde. "Muitas decisões de ensino acabam favorecendo uma abordagem de direito natural", explicou Marschütz.

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