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18 Janeiro 2026

"O Cordeiro de Deus é, ao mesmo tempo, na metáfora campestre da época, o Bom Pastor, que protege suas ovelhas dos lobos vorazes", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ, comentando o Evangelho deste domingo, 18-01-2026.

Eis o comentário.

Hoje, em milhares de comunidades de fé, ouve-se João Batista testemunhando o Filho de Deus, com a credibilidade dos místicos que clamam no deserto: "Depois de mim, vem Alguém que passou à minha frente, porque existia antes de mim".

João deixava intrigada a multidão: "É o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo" (João 1, 29-34).

Jesus Cristo supera a prática judaica do sacrifício de animais no Templo. Não mais o sangue de pombas e ovelhinhas - símbolos da pureza - para "expiar" a maldade humana.

"Nascemos egocentrados - este é o pecado original", ensinou monge Thomas Merton (1915-1968).

O anúncio de João Batista é uma revolução: o sofrimento tem valor libertador, é purificador como o fogo. Aquele que carregará a cruz e nela morrerá - qual cordeiro sacrificado - nos dá acesso à Luz.

Não mais o sacrifício pelo sacrifício, para a salvação individual. O sentido de qualquer "oferta", de qualquer sofrimento, é fazer crescer, na fragilidade do sangue ou da lágrima derramada, nossa capacidade de amar.

O Cordeiro de Deus não caminha passivamente para o matadouro, no rebanho acrítico. Em "Agnus Sei", Aldir Blanc e João Bosco anunciam: "ovelha negra me desgarrei/ e o meu pastor não sabe que eu sei/ da arma oculta na sua mão". Há "pastores" adoradores do dinheiro, que levam suas ovelhas para a submissão, o fanatismo e a morte.

O Cordeiro de Deus é, ao mesmo tempo, na metáfora campestre da época, o Bom Pastor, que protege suas ovelhas dos lobos vorazes. E as conduz dos "vales das sombras da morte" - das injustiças, das doenças graves, da violência, das angústias cotidianas - para "verdes pastagens", plenas de esperança e paz.

Fé em Jesus Cristo é mais que levar a cruz no peito. É saber, no fundo do peito, que Ele doou sua vida por amor. E, em caminhada coletiva (jamais como "rês desgarrada na multidão-boiada" - Gil e Dominguinhos) tentar fazer o mesmo.
Deus está conosco.

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