A dignidade de um nome. Identificadas as duas migrantes que morreram de sede no deserto

Foto: Focus in Africa

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27 Julho 2023

Em nosso jornal nós as chamamos idealmente de Amina e Aisha, movidos pela necessidade de dar-lhes um nome e, através dele, um rosto e dignidade. Agora, graças aos esforços da jornalista italiana Antonella Napoli, do jornal "Libye Actualité" e da ONG Refugees in Lybia, sabemos seus verdadeiros nomes: Dosso Fati e Marie. São as duas migrantes, mãe e filha, que morreram de sede e cansaço nos últimos dias, ao atravessarem o deserto na fronteira entre a Líbia e a Tunísia, esperando depois chegar às costas da Europa através do Mar Mediterrâneo.

A informação é publicada por L’Osservatore Romano, 26-07-2023. 

A investigação de sua identidade também permitiu reconstruir sua história: originários da Costa do Marfim, Dosso Fati, 30, e Marie, 6, moraram na Líbia por cinco anos, junto com o marido e pai, Pato Crepin. Depois de várias tentativas de emigrar por mar da costa da Líbia, os três se mudaram para a Tunísia. Depois de um ano, porém, foram expulsos do acampamento onde viviam e obrigados a fugir para o deserto, na fronteira com a Líbia. No momento, Pato está desaparecido: talvez ele tenha deixado sua esposa e filha para ir buscar água, ou é possível que tenha sido resgatado por guardas de fronteira da Líbia. Não há notícias certas.

 (Foto: Focus In Africa)

A única certeza que temos é que Dosso Fati e Marie atravessaram um deserto que se estende por 461 km: 461 km de areia ressequida e impiedosa, uma areia que queima a pele, sufoca a voz e enterra as esperanças de um futuro melhor. "Eram pessoas, não" invasores "para serem detidos", escreve Antonella Napoli em sua conta no Twitter. Um aviso que fazemos nosso, na esperança de que abale a consciência de todos.

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